quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

PASSEI toda minha infância no bairro de Presidente Altino, onde convivi com muitos imigrantes que vieram especialmente da Europa, para tentar uma nova vida no Brasil, afinal, nos anos 40 a II Guerra Mundial estava no seu apogeu.

POR aqui havia sempre a expectativa, que um de nossos componentes da família pudesse eventualmente ser convocado para a Guerra, aliás, o Brasil foi o único país da América Latina que enviou soldados para o palco da guerra.

LEMBRO muito bem que Osasco era um bairro abandonado da cidade de São Paulo, e as famílias quase todas se conheciam. Ao cair da tarde, nas calçadas defronte as casas, era comum todos ficarem tomando a “fresca” e prosearem sobre assuntos diversos e claro, especialmente sobre a guerra, pois o veículo de comunicação da época mais usado era o rádio.

AS mais tradicionais famílias de Osasco eram por demais conhecidas de todos, e claro havia brincadeiras e também uma rivalidade “escondida” especialmente quando o assunto era torcer para o FLORESTA ou  ATLÉTICO. Até mesmo os bailes nos dois salões eram seletivos de jovens do centro e de Altino.

DUAS das mais importantes famílias de Osasco mantiveram durante muito tempo uma rivalidade das mais curiosas, através de dois animais. Uma família era do Dr. John Essington Brown, brilhante dentista e emancipador convicto e ativo. Sua esposa a professora Fanny, faltando dias para o Natal ganhou de presente uma galinha caipira para engorda e tudo estava preparado para ser “empanelada” na véspera do Natal, mas ocorre...

OCORRE que a galinha ficou no quintal da Dona Fanny e passava o tempo todo na cozinha e começou a ser ensinada a fazer um monte de coisas, como comer milho na mão e ficar descansando nas cadeiras, ou seja, acabou sendo um membro atuante da família do Dr. John e de seus filhos Antony, John e Emily.

QUANDO chegou a véspera do Natal não havia ninguém que persuadisse a Dona Fanny a matar a simpática galinha e a colocasse na panela. Na verdade viveu muito tempo e acabou sendo uma grande atração da família Brown. Há cada dia fazia mais coisas que lhe eram ensinadas. 

MAS uma outra família muito conhecida e muita amiga dos Brown, era do Sr. Ulysses Battiston, conhecido comerciante fundador das Casas Ulysses, vendedora de calçados, também um grande autonomista de Osasco. Mas na época, ele tinha um peixe de aquário e resolveu inovar e fazer concorrência com a  galinha ensinada do Dr. John Brown.

QUANDO o peixe queria comer o Sr. Ulysses enchia a mão de ração e a colocava no interior do aquário e lá vinha o peixinho todo garboso fazer a rica refeição na mão de seu dono. Era só o seu dono chegar próximo do aquário que o simpático peixe vinha aguardá-lo para suas exibições.

COMO Osasco era pequena e acanhada a notícia correu rápido e todos ficaram sabendo que a nossa cidade tinha duas celebridades: a galinha do Dr. Brown e o peixinho amestrado do Sr. Ulysses. Na época propuseram uma exibição de ambos nos salões da A.A. Floresta, para saber quem seria o verdadeiro campeão de Osasco, e quem sabe até mesmo um júri foi proposto.

ACONTECE que o Delegado de Polícia da época era o Sr. Jurandir Pavão, que ao tomar conhecimento do embate resolveu proibir, pois alegou que poderia ser comparado a uma briga de galo, proibida desde aquele tempo. Foi uma pena, pois até hoje os mais antigos moradores de Osasco, ficam na dúvida quem era o melhor animal domesticado de todos os tempos: a galinha ou o peixe? É meu amigo são histórias de uma Osasco que não volta mais...

BEM, a propósito estive com o filho do Sr. Ulysses, o meu amigo Gleidimyr de Sá Battiston, que disse que depois de 70 anos das Lojas Ulysses, elas foram recentemente vendidas, mas ele prometeu voltar com a grande tradição do comércio osasquense.

FALANDO em comércio osasquense, a Secretaria da Cultura de Osasco, poderia realizar uma exposição de fotos antigas do nosso comércio nestes últimos 50 anos, até mesmo a Associação Comercial de Osasco poderia aderir a este projeto que certamente mostraria aos mais jovens, o que a nossa cidade foi, e é agora.
DIARIAMENTE DAS 17 ÀS 18 HORAS, A EQUIPE FURACÃO TRANSMITE PELA RÁDIO TERRA AM 1330 KHz, O PROGRAMA “FURACÃO NOS ESPORTES”. NA FOTO BALTAZAR, MARCHETTI, ADRIANO ZINI E O OPERADOR OSMAR GONÇALVES, DURANTE O PROGRAMA.


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