quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

llESTAMOS a poucos dias do Natal e já percebemos que o agradável clima de festas paira no ar. Já se nota quase todos carregando pacotes de presentes. Ainda que quase todo brasileiro deixe esta obrigação para as últimas horas. O presente é uma tradição, mas o evento nascimento de Jesus, é que corre com maior intensidade em nossas veias.

llJÁ escrevi nesta mesma coluna, que em todas as minhas andanças pelo mundo, dois lugares certamente mexeram comigo, ambos levados pela emoção, e não nego que nestes lugares chorei um bocado de tempo, mas foi um choro “gostoso”, aquele que dá um nó na garganta...mais doce do que sorvete.

llO primeiro lugar chama-se Póvoa do Concelho, bem na parte norte de Portugal, uma pequena Aldeia nos arredores de Trancoso, uma cidade média de Portugal. Nesta cidade nasceu meu pai Manoel Julio Baltazar e de lá veio com sua mãe para o Brasil, com apenas 9 anos, no ano de 1915, sua parada definitiva na cidade de Tambaú próximo a Ribeirão Preto.
llSEMPRE ouvia de meu falecido pai as referências de sua aldeia. Há mais de 20 anos, aluguei um carro, com muitos mapas e fui desbravar a região norte de Portugal, cujo objetivo principal era de conhecer onde meu pai nasceu e quem sabe detectar algum parente com o meu sobrenome Baltazar.

llAO chegar nesta aldeia ao cair da tarde, por volta das 16 horas, perguntei a uma pessoa se por lá havia algum Baltazar. A resposta veio rápida e concisa “...bem ali naquela casa tem um Sr. Baltazar...”. Engoli a saliva como alguém que começa a ter uma forte e comedida emoção. Sem perder tempo fui bater palmas e alguém que parecia muito com meu pai atendeu.

llDEBAIXO das escadas de pedras, fui logo explicando que estava procurando pessoas com o sobrenome Baltazar, pois morava no Brasil e sabia que meu pai havia nascido naquela aldeia, como também viveu 9 anos lá, a resposta veio rápida e moldurada com forte sotaque.

ll“OLHA não sei não, mas logo ali mora minha mãe que está com 98 anos e quem sabe ela possa fornecer alguma informação”. Rapidamente fomos andando poucos metros e numa velha casa, bom na soleira, estava sentada uma velhinha com o tradicional lenço preto preso ao pescoço.

llO meu parceiro pediu a bênção à sua mãe e foi logo expondo que estava com uma pessoa do Brasil, cujo sobrenome era idêntico ao de ambos. Bem devagar, pois a senhora demonstrava dificuldades para ouvir, narrei quase tudo que sabia de meu pai e em seguida veio a grande pergunta: “... a senhora conheceu meu pai?...”.

llPELA primeira vez ela olhou para cima encarou seu olhar no meu e disse: “... claro que conheci, seu pai era meu sobrinho e nasceu naquela casa de pedra...”. Portanto aquela pessoa que estava me acompanhando era primo-irmão de meu pai, e estava explicada a semelhança de ambos.

llQUANDO adentrei naquela velha casa e mostraram o quarto onde meu pai nasceu, claro foi naquele lugar que teve início a minha existência, não aguentei e chorei copiosamente. Até mesmo as pessoas que estavam ao meu lado, entenderam o quanto valia aquele instante para mim. Tirei fotos do local, e atualmente tenho um quadro a óleo do local, perpetuando o momento do reencontro com as raízes de meu grande ídolo.

llO segundo lugar no mundo que sacudiu a minha cabeça, foi há 15 anos, quando a Equipe Furacão de Esportes, em parceria com emissoras da Bahia, transmitiu a primeira partida amistosa entre a Seleção Brasileira de Futebol x Israel, uma espécie de aventura “política”.

llEM Israel tivemos terríveis dificuldades, para viabilizar a transmissão por rádio deste jogo histórico. Imagine que o Estádio local sequer tinha cabines para rádio e TV. Trabalhamos na pista de atletismo e nossa transmissão foi um sucesso.

llNO dia seguinte logo cedo, alugamos uma Van e fomos todos até Belém, visitar e agradecer pelo trabalho, no exato local onde supostamente nasceu Jesus, numa gruta. Entramos numa longa fila e fui o primeiro dos brasileiros a adentrar. Ali está a manjedoura e embaixo uma grande estrela de platina, simbolizando o local do nascimento.

llALI começou a faltar o ar. Fiquei com a voz embargada, e na saída da gruta havia uma placa escrita em vários idiomas, que dizia entre outras coisas: “SE VOCÊ NÃO ACREDITAVA NELE, A PARTIR DE AGORA MAIS DO QUE NUNCA ELE ESTÁ AO SEU LADO, É UMA DÁDIVA VIR A ESTE LOCAL”.

llCONFESSO que chorei por mais de 10 minutos, nunca chorei tanto na vida...Ele havia me transportado para aquele local...senti minha alma leve e parecia que estava sendo levado por nuvens...jamais vou esquecer de Belém, e claro, de Póvoa do Concelho, em Portugal. FELIZ NATAL A TODOS!!!

llAGRADECIMENTO: quero deixar público o meu agradecimento ao Prefeito Rubens Furlan de Barueri, por ter convidado este amigo para ocupar a Secretaria de Comunicação de Barueri. Não somente trata-se de um honroso cargo, como espero corresponder à expectativa do meu amigo Rubens Furlan.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

DE quando em quando começo a pensar na imprensa da nossa região, especialmente das suas incríveis dificuldades em informar, e claro manter a sua custosa sobrevivência. Sei e sinto na própria pele estas dificuldades, quando temos que fazer frente aos custos cada vez maiores de poder informar.

NA última sexta-feira, conversei longamente com o prefeito Rubens Furlan da cidade de Barueri, principalmente sobre o momento em que a nossa imprensa regional se encontra. Furlan reconhece o destemor e a bravura desta laboriosa classe em manter-se altiva e por que não, em “pé”, diante das dificuldades.

TENHO observado em cada cidade que visito em todo o Brasil, a posição da imprensa regional. A cidade de Feira de Santana com 500 mil habitantes, sendo a segunda cidade em população da Bahia, tem 4 jornais diários, dois canais de TV, 4 emissoras de rádio FM e 4 emissoras de rádio AM. É bom acentuar que os jornais diários são todos coloridos, por lá o governo Estadual e Federal, participam ativamente.

APENAS como comparação a cidade de Osasco tem um jornal pentasemanário, 5 jornais semanais, alguns “meia-boca” que são editados conforme as circunstâncias, 1 rádio AM fincada em Osasco, mais 2 com papel passado de Osasco, mas instaladas fora, pois caso contrário estariam sucumbidas diante do “apetite” comercial dos anunciantes.

ATÉ mesmo uma TV existe. Dizem até que tem uma boa programação, mas tecnicamente para poder sintonizá-la é um bicho de sete cabeças. Estou há anos na imprensa regional, creio até que tenho a coluna mais antiga do jornalismo que está completando 34 anos sem interrupção. Mas por que todos os profissionais vivem este estado de coisas?

ALIÁS não é de hoje que isto ocorre. Lembro bem de muitos “cardeais”, que já nos deixaram e que na marra conseguiram deixar suas idéias fincadas na história do jornalismo regional. Por exemplo, Heitor Sinegaglia, um talento ímpar, versátil e eclético, jamais conseguiu apoio ou amparo para suas edições memoráveis.

TAXINHA produziu uma coluna que saía “faísca” chamada “EM OFF”, que marcou época e que “derrubava” políticos menos avisados. Carlos Alberto de Araújo Faria, um baluarte, plantou o jornal “A RUA”, um dos mais antigos da região, atualmente escorado bravamente pela empresária Clara Rodrigues Faria.

OUTRO grande batalhador pelo jornalismo foi Messias Gonçalves da Silva, que fez de seu “O GRANDE OSASCO” um semanário de respeito e marcou presença ao longo de muitos anos. Tenho muito respeito pelos irmãos jornalistas Adamastor Inácio e Márcio Silvio, dois grandes talentos a quem Osasco muito deve, ambos estão na ativa.

OUTRO ilustre jornalista que deve estar lá no céu, com seu inseparável palitinho de fósforo na boca, o popular Zequinha (José Barros e Silva). Superinteligente e um grande observador. Suas reportagens e análises políticas eram respeitadas e admiradas. Seu grande laboratório de observação era as noites osasquenses, onde as informações políticas fluíam naturalmente, especialmente depois de 2 ou 3 doses de whisky...

NÃO posso esquecer-me, de outro grande batalhador e amigo Marco Infante, com seu estimado “PÁGINA ZERO”. Sua coluna “Acontecendo” é sinônimo de fonte de notícias políticas prestes a acontecer. Sempre coadjuvado pelo experiente Daniel Soares. Outro grande jornalista, Hugo Alberto Cuellar Urizar, que sem dúvida tem o maior acervo fotográfico e de imagens da nossa região. É um boliviano com alma e sangue brasileiro.

ESTES e mais alguns que peço desculpas por omitir seus nomes, fazem e continuam fazendo um jornalismo respaldado por raízes da nossa gente e da nossa região, e repito na maioria das vezes sem o devido respaldo financeiro, tão importante para fazer frente a seus custos.

llO grande empresariado, salvo raras exceções, viram as costas para estes baluartes da comunicação, que necessitam de recursos para continuarem descrevendo a história cotidiana de nossa região, sempre rica de fatos a serem noticiados. Portanto aos amigos jornalistas que se foram e aos que Graças a Deus, estão com saúde perpetuando o sacerdócio de suas profissões, o meu abraço na pessoa do Diretor do “CORREIO PAULISTA”, Wanderley Berrocozo.

PARECE mesmo que quando das festividades do 50º Aniversário de Osasco, vários desportistas e celebridades estarão sendo homenageados, provavelmente nas calçadas do museu de Osasco. Alguns nomes como Jair da Costa, Miguel de Oliveira e Jamil Bechara, já estão na lista. Boa iniciativa para preservar a memória de pessoas que enalteceram a cidade de Osasco, especialmente no esporte.

NESTE domingo, estarei no Rio de Janeiro, a partir das 16h30, com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, transmitindo o jogo entre Vasco x Flamengo, que tem ligação com o resultado de Corinthians x Palmeiras. A narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti, plantão César Roberto e equipe e,  comentários deste amigo. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

llNESTES últimos meses, por força de minhas atividades junto à Equipe Furacão de Esportes, na Rádio Terra AM 1330 KHz, tenho viajado quase todo o Brasil, na cobertura dos jogos do Grêmio Barueri no Campeonato Brasileiro Série B.

llDESDE Rio Grande do Sul, passando por Santa Catarina, cruzando o Paraná, depois Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Ceará, Pernambuco e outros mais, confesso que apesar de ficar pouco tempo nas cidades visitadas é possível detectar uma tremenda mudança nos hábitos e costumes do nosso Brasil.

llREALMENTE o nosso país mudou. Não faz muito tempo, lembro que andar nas cidades do interior era observar as saudosas e gostosas charretes andando especialmente nas ruas de paralelepípedos, onde os cavalos faziam aquele barulho de toc-toc-toc. Era uma marca do interior.

llMAS, nada é eterno, tudo na vida tem seu ciclo, especialmente quando a tecnologia pede passagem e antecipa a chegada do progresso. Não há nada que se possa fazer para deter este avanço. Como jornalista observador, em todas as cidades do interior do Brasil em que estive, há uma mudança considerável, principalmente na área do transporte.

llJÁ não existe mais as simpáticas charretes, até mesmo os táxis de quatro rodas já estão diminuindo. A razão é a invasão sem precedentes das MOTOCICLETAS de todos os tipos e de todas as cores. Elas pulverizam todo o território nacional, são milhares para não dizer milhões, a maioria procedente da Ásia.

llATUALMENTE segundo algumas fontes já passam de 15 milhões a sua frota. O estado de São Paulo é o maior reduto delas e Macapá no Amapá o menor. Na cidade de São Paulo há mais de 3 milhões de motoqueiros. Cada 10 desastres no trânsito da cidade, de 4 a 6 são com motoqueiros, e o pior sempre com vítimas fatais. 
llAS mortes neste tipo de transporte urbano tiram o sono de nossas autoridades, pois morrem mais pessoas do que na guerra do Vietnã. Voltando às cidades brasileiras, as motos são usadas no campo, nos sítios e nas fazendas. Fazem de tudo, até substituindo os cavalos no pastoreio das boiadas. Hoje o camponês usa moto e aposentou o cavalo. Que pena...

llNA cidade de Juazeiro do Norte no Ceará, onde estive no mês passado, 80% dos serviços de táxi são feitos com motos. Qualquer deslocamento na cidade custa em torno de R$ 3,00, e o passageiro ainda recebe aquela brisa no rosto como cortesia do motoqueiro. Todos eles são identificados por um colete amarelo e com um grande número nas costas.

llVARGINHA em Minas Gerais, os motoqueiros tomaram conta literalmente de toda a cidade. Há quatro motos para cada automóvel. Até mesmo para visitar os famosos ETs de Varginha, todos usam os moto-táxis. Entraram mesmo no gosto de todos. No Brasil pode-se dizer que é uma preferência nacional.

llAS financeiras fazem qualquer negócio para financiar motos. Com menos de R$ 200,00 por mês você sai montado numa reluzente motocicleta e vai ganhar a vida. O detalhe é que a habilitação de motoqueiro poucos ou quase ninguém tem preocupação, especialmente pelo número de analfabetos existentes nestes lugares.

llREVENDEDORAS e oficinas de motos em todo Brasil são encontradas em cada esquina. Pelas ruas das cidades brasileiras é comum você observar a família andando de moto. O chefe da família guiando, a esposa na garupa e o filho menor escorado nos braços da mãe.

llELAS transportam de tudo, são versáteis e quebram muitos galhos. Quando estive na China, fiquei abismado com o meio de transporte-motocicleta, não esperava que toda esta febre pudesse chegar tão rapidamente ao nosso Brasil. Seu preço e consumo de combustível, facilidade de pilotar, as transformaram num grande objeto de desejo e consumo dos brasileiros.

llAPENAS a extinção dos cavalos e éguas no interior, deixa uma indelével marca de saudosismo, como os cavaleiros aos sábados visitando o centro da cidade, para abastecimento de mantimentos no lombo de seu lindo e bem arreado animal, também as charretes com as quais já falei acima, agora cada vez mais é a ocupação dos espaços das motocicletas, até onde não sei...mas certamente irão ainda muito longe...

llNESTA sexta-feira a partir das 20h, estarei com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, transmitindo a última rodada do Campeonato Brasileiro série B, o jogo:  Grêmio Barueri x Salgueiro, com a narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti, plantão César Roberto e este colunista nos comentários. Até lá e um forte abraço...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

llDURANTE esta semana, comemoramos mais um feriado nacional em homenagem à Proclamação da República Brasileira. Na verdade, foi um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma Republicana Federativa Presidencialista de Governo no Brasil. 
llFOI derrubada a Monarquia Constitucional Parlamentarista do Império do Brasil, e pondo fim à soberania do Imperador Pedro II. Portanto, foi assim proclamado a República dos Estados Unidos do Brasil, tal movimento revolucionário foi comandado por Marechal Deodoro da Fonseca.
llINSTALADO em 15 de novembro de 1890, o novo Congresso Nacional Constituinte, no Paço da Boa vista, no Rio de Janeiro, foi indicado o militar Manuel Deodoro da Fonseca o 1º Presidente do Brasil, e ali se inicia um novo ciclo de desenvolvimento no Brasil.
llESTE militar formado no Rio de Janeiro nasceu em Maceió, no dia 5 de agosto de 1827 e faleceu aos 65 anos, no dia 23 de agosto de 1892. Sempre teve grandes problemas de saúde, especialmente respiratórios. Seu sítio de nascimento a 31 quilômetros da capital alagoana, atualmente leva seu nome “Deodoro da Fonseca”. 
llSEU pai, também militar chegou a patente de tenente-coronel. Todos os brasileiros que visitam Maceió deveriam visitar também esta cidade histórica de Marechal Deodoro, com pouco mais de 45 mil habitantes, e fundada em 1611 e que servia para proteger o Pau Brasil do contrabando e da ação pirata.
llLEMBRO muito bem da primeira vez que estive nesta pequena cidade. Bastante conservada, inclusive a casa em que nasceu o 1º Presidente do Brasil, e mantêm o caráter de todas as suas casas no típico Brasil colonial, inclusive foi ali que pela primeira vez ouvi falar o ditado “sem eira nem beira”.
llTODAS as casas, ou boa parte, possuem telhado formado por três linhas de telhas sobrepostas. Quando chove, estes planos lançam a água para a rua e para o fundo do terreno. Abaixo do telhado, detalhes chamados de eira, beira e entre beira, que serviam não só como adorno, mas também para distinguir as diferentes classes sociais dos proprietários.
llQUANTO mais detalhes, mais rico o dono da casa. Assim, uma casa que não tivesse eira nem beira, mostrava a condição humilde do seu dono, ou seja, a sociedade da época mostrava logo a frente da casa, a posição social de seu morador.
llESTES detalhes nos telhados mostram se as pessoas tem ou não bens. Na verdade fui fundo para saber a origem da palavra EIRA que significa um terreno de terra batida ou cimento, onde grãos ficam ao ar livre para secar. BEIRA é a beirada da EIRA.
llASSIM quando uma EIRA não tem BEIRA, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada. Porém na região do nordeste, este ditado tem o mesmo significado, mas outra explicação. Dizem que antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a EIRA, a BEIRA e a TRIBEIRA, como era chamada a parte mais alta do telhado.
llAS pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado, então construíam somente a tribeira, ficando assim “SEM EIRA NEM BEIRA”. Atualmente este adágio popular é por muito conhecido, inserido que foi aqui no Brasil pela cultura portuguesa. Conhecer esta pequena cidade nas Alagoas é ter um agradável encontro com boa parte da história brasileira. Vale a pena mesmo!   
llNÃO faz muito tempo, fui trabalhar na cobertura do Grêmio Barueri, que foi jogar na cidade de Arapiraca em Alagoas, e no trajeto passei por Marechal Deodoro, e pude ainda que rapidamente rever os casarios no estilo Brasil colonial. Pude recordar em seus telhados a origem do velho adágio: “Sem eira nem beira”.
llOUTRO dia estava na fila da agência do Banco Bradesco, no centro de Barueri, e um senhor aparentando uns 60 anos, puxou conversa comigo e disse que no próximo ano as eleições municipais “vão pegar fogo”. Demonstrando um pouco de desconhecimento da política da cidade, então o indaguei, qual era a base que ele se fundamentava para dizer aquilo.
llSEM ter a mínima idéia com quem estava falando, foi logo explicando que mora em Barueri, há mais de 40 anos, e acompanhou de perto o crescimento vertiginoso da cidade, atualmente a primeira do Brasil em alguns itens importantes. Disse que Furlan é um fenômeno, e votar contra ele é votar contra tudo de bom que existe na cidade de Barueri.
llE arrematou: “...Barueri tem até bons candidatos, mas em disparada Furlan é o melhor, portanto quem escolher como sucessor, receberá meu voto...”. Sem dúvida, foi uma opinião de quem convive com Barueri há mais de 40 anos, e sabe muito bem o que representa a escolha de um bom candidato.  
llAMANHÃ teremos a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro série B, um jogo importante em Santa Catarina: Criciúma x Grêmio Barueri, às 17 horas. A rádio Terra AM 1330 KHz e a Equipe Furacão de Esportes, há 33 anos no ar sem interrupção transmite a partida. A narração é de Adriano Zini, confira!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

HOJE quero falar de um assunto que sempre mexe comigo, ou seja, me deixa mesmo aborrecido. Este assunto são os remédios e suas implicações. Ninguém duvida de sua necessidade e da importância que eles encerram na saúde dos seres humanos.

DESDE o ano de 1996, ano em que tive infarto, não fiquei mais livre de um monte de remédios. Meu cardiologista, Dr. Paulo Pucci, não economiza nem um pouco, ao receitar os medicamentos com os quais tenho que conviver diariamente. Certamente ultrapassam de 10 a 12 todos os dias. Fazer o que?

MAS a minha bronca acontece todos os meses quando necessito realizar a compra dos medicamentos. Ora, cada farmácia é um preço. O mesmo medicamento varia demais nos descontos e tem mais: se tiver cartão do laboratório o desconto é maior, enfim fazem com o pobre doente o papel de uma inquieta peteca.

ORA se o remédio é o mesmo, o laboratório é o mesmo, a quantidade de comprimidos é a mesma, por que o preço tem que ter esta baita diferença? Outra coisa, não são remédios que custam 10 ou 20 reais. No meu caso chegam perto de R$ 200,00.

GASTO por mês mais de R$ 800,00 em medicamentos. Há casos em que você compra uma caixa com 24 comprimidos, ingere dois ou três, melhora, e a caixa fica encostada no armário, até o prazo de validade vencer e em seguida ter que ir para o lixo.

LEMBRO bem que quando estive na Índia, necessitei de um remédio e fui levado pelo meu guia à farmácia, aliás, todas elas ficam em frente de hospitais ou prontos-socorros. Quando fiquei sabendo do preço, tive o desejo de consultar outras farmácias, para saber se havia um desconto maior.

O meu guia foi logo dizendo que lá os preços são tabelados em todo o país, e disse mais: que por lá, quando o paciente não tem dinheiro suficiente para comprar a caixa toda do medicamento, o dono da farmácia é obrigado a vender comprimidos no varejo, assim como no Brasil, somos obrigados a comprar caixas de remédios com um monte de comprimidos e depois jogá-los no lixo.

CADA vez que estou numa farmácia lembro-me dos aposentados. Que tipo de sofrimento eles passam? O salário sempre achatado. Os anos de trabalho e contribuição ao INSS de nada valeram. Nas estatísticas do governo, são considerados “peso morto”, são lembrados apenas nas vésperas das eleições, e depois aguardam a morte com dignidade.

PORQUE uma autoridade, sei lá quem, talvez algum deputado federal possa interceder, no sentido de tabelar pra valer os medicamentos mais usados, pelos pobres aposentados. Garanto que quem fizer este trabalho terá meu voto com absoluta certeza, nas próximas eleições.

HÁ maneiras de atenuar este grave problema com os abusivos preços dos medicamentos. É o caso da cidade de Barueri, onde o prefeito Rubens Furlan, usando de muita criatividade, fornece através da prefeitura, medicamentos gratuitamente a todos que preenchem os quesitos necessários.

VOCÊ vai até a farmácia municipal de Barueri, com a receita médica, cujo prazo não pode ultrapassar seis meses, uma conta de água ou luz, comprovando sua residência no município, e recebe seus remédios sem custo, caso haja falta de algum deles, após dias a prefeitura através de “motoboys”, manda para sua casa. Apenas como curiosidade, o depósito de medicamentos em Barueri é maior do que o de muitos laboratórios brasileiros.

RECENTEMENTE estava na cidade de Feira de Santana, na Bahia, participando de um programa de enorme audiência do jornalista Dilson Barbosa, e disse como a prefeitura de Barueri funciona para o fornecimento gratuito de medicamentos. Os ouvintes não acreditavam e fui obrigado a ligar para o prefeito Rubens Furlan, que por telefone explicou maiores detalhes. Foi uma loucura.

ESTE tema está aberto e a exemplo de Furlan, outras medidas devem ser tomadas no sentido de facilitar para a população, especialmente aos pobres e sofridos aposentados, que com seus salários não conseguem comer, imagine então, comprar medicamentos com preços abusivos e a mercê de cada farmácia, ou seja, vale tudo.

NESTA última terça-feira, recebi em Sessão Plenária na Câmara Municipal de Barueri, uma significativa homenagem pelo “Dia do Radialista”, que ocorreu no dia 7 de novembro. Quero agradecer ao amigo e vereador Jânio Gonçalves de Oliveira, autor da Moção nº 024/2011.

ESTA homenagem foi subscrita também pelo presidente Josué Pereira Silva (Jô), e pelos vereadores: Nilton Humberto Melão, José de Melo, Antonio Carlos Marques, Sebastião Carlos do Nascimento, Sérgio Baganha, Miguel Francisco de Lima, Antonio Furlan Filho, Francisco dos Reis Vilela e Orozimbo Donizete Lustosa. A todos, grato pela acolhida e pela significativa homenagem a este jornalista.

QUERO agradecer ao Guarda Municipal de Barueri, Sr. Edvaldo de Souza Belo, mais conhecido por “Guarda Belo”, que presta serviço na farmácia municipal de Barueri, pela ajuda e prestatividade que teve com minha esposa, na última quarta-feira. Parabéns Sr. Belo! São profissionais como o senhor que fazem de Barueri, uma cidade reconhecidamente importante, que melhora a vida de sua gente!

AMANHÃ a partir das 16h30, estarei com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, transmitindo direto da Arena Barueri, o jogo valendo pelo Campeonato Brasileiro série B, Grêmio Barueri x ABC, com narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti e comentários deste amigo. Até lá...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

HÁ anos que viajo por este mundo afora, e claro pelo nosso Brasil, graças principalmente à minha profissão de jornalista esportivo. Tenho dito a amigos que na verdade sou um autêntico cigano, que não tem grandes “paradas”. Vou sempre em frente.

FAZ mais de quarenta anos que vivo esta excepcional experiência, e confesso que tenho muitas dificuldades quando sou questionado a responder qual lugar ou cidade que mais gostei, ou qual delas é a mais bonita? É claro que além de ser subjetivo, depende demais do enfoque que o perguntador quer dar.    

SÃO tantos os aspectos que fazem de uma cidade mais formosa, que há necessidade de destacar quais deles devem ser abordados. Por exemplo, quando o enfoque é de beleza natural, jamais me esqueço do Vale do Tirol na Áustria, com seus extensos gramados verdes e montanhas gigantescas, e claro sua gente cavalgando em soberbos cavalos, em seus trajes vermelhos típicos desta região.
BEM tudo ou quase tudo tem seu lado belo. Mas ao longo desta semana, a revista Forbes publicou a lista das 12 mais importantes e belas cidades do mundo. Ora, como se trata de uma revista tão conceituada, debrucei-me sobre este tema e quero repassar para todos os leitores algumas observações, pois apenas uma delas não conheço pessoalmente.

 A primeira cidade é Paris. Aqui creio que seja uma unanimidade mundial. Quem conhece esta cidade, não a esquece jamais. Sempre que posso passo por lá, para ver seus encantos e histórias. Em segundo lugar, Vancouver no Canadá. É incrível sua beleza natural. Uma das cidades mais encantadores do mundo. Também recebe o meu voto.

EM terceiro lugar Sydney. Esta cidade na Austrália não conheço, portanto seria difícil emitir uma opinião mais abalizada. Em seguida, a cidade italiana de Florença. Ali a história do mundo se entrelaça com a criação e capacidade de seus filhos. Todos tem que passar a mão no nariz do javali de bronze, na sua praça principal, é uma tradição que todos obedecem.

EM quinto lugar mais uma cidade italiana, a sonhadora e romântica Veneza, com seus gondoleiros e igrejas monumentais. Curiosamente é uma cidade que deu certo, sem a presença dos automóveis que congestionam o mundo todo. Lamento apenas a ausência de Roma, outra cidade italiana que não merecia ficar de fora nesta lista.

AGORA a preferência é para a Cidade do Cabo na África do Sul, onde estive vários dias, nesta última Copa do Mundo. Sua formação e cultura é toda inglesa, seu cenário mais importante é uma montanha (table mountain), de mais de mil metros de altura, onde se pode deliciar-se com um teleférico e ver a soberba cidade. Esta tem meu voto.

PULAMOS para a América do Norte, na diferente cidade de San Francisco, onde as atrações são muitas. Lembro de seu incrível bondinho no sobe e desce de suas ladeiras e uma cidade, cujo lema principal é a liberdade em toda sua plenitude, ainda que às vezes fiquemos estarrecidos. Sua ponte Gold-Gate é uma das mais maravilhosas do mundo.
OUTRA cidade norte-americana, vem em seguida: Chicago. Que tem o aeroporto de maior movimento e tráfego do mundo. Os maiores prédios do mundo ali estão e sua história tem sido contada no cinema especialmente a de Al Capone, quando da lei seca. Tem o maior conjunto de exposições do mundo e faz divisa com o Canadá.

AINDA nos Estados Unidos, a próxima cidade é a gigantesca Nova York, com seus 19 milhões de habitantes, perdendo apenas para Tóquio e cidade do México. Nela tem de tudo e mais um pouco. Conhecer esta cidade no inverno é um espetáculo à parte. Mas, o que os brasileiros admiram mais, fica por conta das suas compras em lojas espetaculares. Esta sim foi bem votada.

OUTRA cidade inglesa está entre as doze, desta feita trata-se de uma cidade universitária, uma das mais antigas do mundo, criada em 1284, e fez de seu nome uma marca na educação: Cambridge. Com seus canais e áreas verdes intermináveis. Sua fama é tanta que entre seus formados estão 84 prêmios Nobel. Não é muito distante de Londres (180 Km), tem 150 mil habitantes, sendo 25% universitários.

FINALMENTE Tóquio, a gigante capital do Japão, com seus 35,6 milhões de habitantes, a maior cidade do mundo (em população). É um espetáculo andar em Tóquio de noite observando suas luzes e a capacidade de criatividade de sua gente. Com certeza esta cidade está na lista com méritos e muita justiça.
EM resumo ninguém vai conseguir satisfazer todas as pessoas, pois é claro, que cada um tem seu gosto. Daí a subjetividade se faz presente e a revista Forbes partiu de uma lista até muito boa, de todas as cidades votadas apenas não conheço Sidney, mas creio que todos devam conhecer estas magníficas cidades.

AMANHÃ a partir das 16h30 na Arena Barueri, a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, estará transmitindo pelo Campeonato Brasileiro de Futebol Série B, o jogo Grêmio Barueri x Paraná, com a narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti e comentários deste amigo. Até lá nos 1330 KHz da Rádio Terra.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PELAS minhas andanças pelo mundo, tenho notado que a maioria dos países procura de uma forma ou de outra, preservar seus astros nas mais variadas áreas de atividades. Na maioria das vezes o objetivo é que eles sirvam de exemplo aos mais jovens, e claro que sejam perpetuados no conhecimento geral de forma mais fácil.  

NA cidade de Osasco mais especificamente, quando fui convidado para participar do grupo de trabalho para as festividades da futura festa do cinquentenário, propus que ao lado do museu de Osasco, fosse feita uma espécie de calçada da fama das principais personalidades que representaram nossa cidade e se notabilizaram.

CITEI na oportunidade, alguns campeões do mundo, que até hoje estão por aqui, a exemplo de Jair da Costa e Miguel de Oliveira, que sacudiram de forma espetacular nas suas modalidades: futebol e boxe. Na minha proposta, eles deixariam impressos na calçada suas mãos e pés, para serem perpetuados diante do brilhantismo e servissem de exemplo para os mais jovens.

MAS na nossa região Oeste e Osasco há tantos e tantos exemplos de pessoas que ainda que não fossem campeões do mundo, dignificaram com brilhantismo ímpar, dentro de suas atividades. Foram grandes propagadores de Osasco e região. Por aqui tivemos grandes árbitros de futebol e um deles ainda está vivo para nossa alegria, e não se cansa de dizer que é osasquense. Seu nome é Hélio Gasparini.

SOMENTE para citar outro exemplo, será que meu amigo leitor conhece Jamil Bechara? Se não ouviu falar dele, saiba que como ninguém enalteceu e dignificou Osasco – sua terra natal. Atualmente com 75 anos, sempre demonstrando alegria de viver, foi um dos maiores lutadores do Brasil. Tudo começou assim...

NOS anos 60 havia na TV um programa “Astros do Ringue”, na TV Record, cuja audiência desbancava qualquer programa. Um lutador observando o físico de Jamil Bechara, imediatamente o convidou para participar e não precisou de muito tempo para realizar sua primeira luta, diante de Vendramini e obteve uma brilhante vitória. Tinha início ali uma carreira espetacular do jovem osasquense.

SUA simpatia e seu físico invejável abriam outras portas, especialmente na programação da TV, em programas tipo comédia. Seu sucesso como lutador era tanto que realizou uma luta memorável no Ginásio do Ibirapuera lotado, contra o lutador ítalo-argentino, Gatica. Seu nome profissional era “Adonis” e seu peso em torno de 110 quilos.

NO ano de 1964 a cidade recebeu uma visita das mais ilustres. Nada mais do que o famoso Primo Carnera, de origem ítalo-americano, que consagrou-se como campeão mundial de luta livre. Além de ator do cinema, Carnera era uma figura incrível e foi seu amigo brasileiro Jamil Bechara (Adonis) que o trouxe para Osasco, onde passou um dia inesquecível.

SEU porte físico causou enorme admiração por onde passou em Osasco, a começar pela sua altura de 2,11m e um sapato de número 52. Bechara nunca teve nenhum arrependimento de realizar suas lutas livres e destaca como uma das mais importantes, a que fez contra Caruso na época campeão Europeu. Esta luta aconteceu em Osasco, no Floresta, em março de 1962. Tinha gente saindo pelo “ladrão”...   

DEPOIS do período bem sucedido de lutas livres, Jamil Bechara, trabalhou no Gabinete do Prefeito de São Paulo, como Oficial de Gabinete e Segurança de vários prefeitos como Olavo Setubal, Reinaldo de Barros, Salim Curiati, Mário Covas, Jânio Quadros e Luiza Erundina. Certamente neste período Jamil Bechara acumulou enorme aprendizado e granjeou muitos amigos e admiradores.

COM certeza na minha calçada da fama, caso se viabilize, na festa de 50º Aniversário de Osasco, Adonis ou melhor, o osasquense Jamil Bechara, será um dos primeiros a ser perpetuado pelo arrojo, esportividade e emérito divulgador da nossa Osasco. Seu trabalho foi fundamentado na saúde e labor ilimitado, sempre distante e sem uso de drogas. Um abraço ao amigo sempre disposto a dar um sorriso e boa sorte...

TODOS sabem que o município de Barueri é referência quando se trata de obras públicas, dedicadas ao social. Além da saúde onde tudo é de ponta, o prefeito Rubens Furlan deverá entregar no final de fevereiro de 2012 o Espaço Mulher “Ruth Cardoso”, na Vila Porto, ao lado do Hospital Municipal de Barueri.

TRATA-SE de um prédio de quatro andares, cujas obras estão em fase de acabamento e estará à disposição das mulheres, nas diversas atividades, ações, cursos e apoio ao cooperativismo, conforme orientação da primeira-dama Sônia Furlan. Somente para se ter idéia, o prédio soma 6.930m² de área construída.

TERÁ ambientes para assistência jurídica, assistência social, consultórios de psicologia, nutrição, fisioterapia, informática, alfabetização, artes e artesanato, beleza e estética, além de um auditório para 90 pessoas, piscina semiolímpica, quadra poliesportiva, academia, cyber café e biblioteca. Dois elevadores para 12 pessoas facilitarão o acesso para pessoas com dificuldades de locomoção. Este espaço é inédito e certamente irá melhorar a vida das mulheres de Barueri.    

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

NO último final de semana, estive com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, na transmissão do jogo válido pelo Campeonato Brasileiro da Série B, entre Icasa x Barueri, diretamente da cidade de Juazeiro do Norte, a segunda maior cidade em  população do Estado do Ceará.

 ESTA cidade eminentemente religiosa está distante de Fortaleza 514 quilômetros. Curiosamente era um distrito da cidade vizinha de CRATO até que Padre Cícero Romão Batista resolveu se fixar como pároco do lugarejo, até então, sem capelão. Ai deu no que deu...

FOI ele, tempos depois responsável direto pela emancipação e independência da cidade, que se deu no dia 22 de junho de 1911, portanto a cidade está ainda vivendo a comemoração do seu 100º ano de emancipação. Padre Cícero, nasceu em CRATO em 24 de março de 1844 e veio falecer em Juazeiro do Norte em 20 de março de 1934, aos 90 anos. Está enterrado na principal igreja da cidade.

POR conta do chamado “Milagre de Juazeiro” em 1889, quando ele deu a hóstia sagrada à beata Maria de Araújo e a hóstia se transformou em sangue, a partir de então, a figura do padre, assumiu características místicas e passou a ser venerado pelo povo como um santo.

HOJE a cidade de Juazeiro do Norte é a maior referência do nordeste, graças ao Padre Cícero. Conversando com as pessoas da cidade, é difícil saber onde começa e onde termina a ligação religiosa e política desta figura. Em 1911 ele é eleito 1º prefeito e exerceu este cargo ao longo de 15 anos. Em 1926, foi eleito deputado federal e vice-governador do Ceará. Não assumiu nenhum destes cargos, para não deixar a cidade de Juazeiro do Norte.

SUAS ligações eram as mais diversas. Em 1926 encontrou-se com Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, grande devoto do padre, ao lado de 49 cangaceiros e recebeu conselhos para abandonar o cangaço. Mas, a vida com o Padre Cícero era dinâmica e direcionada muito ao campo do catolicismo. Com ele houve a redução das bebedeiras e prostituição, e até hoje Juazeiro do Norte, não sabe o que é carnaval.

AO lado de um motorista de táxi, andei bastante pela cidade no último sábado, e é fácil notar a grande quantidade de igrejas no município. Debaixo de um calor de 40 graus, visitei na Colina do Horto, a Estátua do Padre Cícero (é a 3ª maior do Brasil), de onde se pode observar toda a cidade. Nunca vi tantas motos num só lugar. Até mesmo o vaqueiro está trocando o cavalo pela moto.

ERA neste local, no alto de um morro, que Padre Cícero fazia suas orações. Ali é o grande ponto de convergência, por onde chegam milhares de fiéis, que segundo dizem, na data de seu aniversário atinge 1 milhão de romeiros. Por isso, a indústria de velas, pensões, hotéis, transportes, crescem a passos largos, e claro também a indústria de esmolas.

RESOLVI ao longo de uma pequena ladeira de acesso, dar minhas moedas a alguns pedintes e não imaginei o fluxo de pessoas que se acercaram de mim para angariar minhas oferendas. O detalhe que clamou a atenção, é que são pessoas de aspectos bastante pobres e sofridas. Neste local, vende-se todo tipo de material do Padre Cícero, a exemplo do que acontece aqui em Aparecida. Ufa! É muito trique-trique.

NAS minhas observações, notei que por lá existe outro Brasil. Muita pobreza, usos e costumes literalmente diferentes da região sul. Por exemplo, a maioria das casas bem simples, as donas de casa estendem as roupas lavadas nas calçadas, alegando que por lá as roupas adquirem um cheiro de limpeza.

OS transportes de Juazeiro do Norte e Crato, mais ou menos 9 quilômetros, são basicamente realizados por metrô de superfície, com dois vagões, muitas vans e táxis-moto, que custa em média R$ 2,00, independentemente da distância. Detalhe é que a maioria dos motoboys não tem habilitação e sua obrigação é a de usar capacete.

O índice de criminalidade é bastante alto, especialmente quando se fala em assassinatos de mulheres. Na maioria destes casos, quase sempre entra a ação primária do machismo. Imagine que as festas populares chamadas “Forró de Sanfona”, se uma mulher não aceitar a dança de um cavalheiro e dançar com outro, imagine a confusão...até mesmo a sanfona é quebrada e jogada pela janela, e a festa acaba em grossa pancadaria.

CONVERSANDO com uma sacoleira, que compra roupas em São Paulo de 2 a 3 vezes por ano, e revende em Juazeiro do Norte, ela me contou que especialmente as mulheres fazem pedidos baseadas em programas de televisão, e também do “Pânico na TV”, onde a Sabrina Sato, mostra uma calça jeans feita na cidade de Jandira, depois dizem que propaganda não vende...É bom lembrar que o ator José Wilker, nasceu em Juazeiro do Norte

ENFIM foi muito bom conhecer esta região no sertão do Brasil, onde é possível identificar a simpatia e humildade dos nordestinos, verdadeiros titãs, que sofrem e ajudam o crescimento do Brasil. E observar de perto que todo brasileiro ainda acredita em milagres, especialmente quando se está na terra do Padre Cícero.

HOJE a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, estará transmitindo direto de Goiânia, a partir das 20 horas o jogo Vila Nova X Barueri, com a narração de Adriano Zini e reportagens de Toni Marchetti.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

PUXA! Já estamos praticamente no final do ano. O mês de outubro já chegou a metade, e mais alguns dias estaremos adentrando naquele período de muita agitação, ou seja, a famosa correria para comprar presentes para nossos familiares e claro, aos nossos amigos.

NÃO sei opinar com exatidão se o nosso “amigo” ano de 2011 foi um bom parceiro. O mundo está cambaleando na sua estrutura financeira. Países dos mais tradicionais como a Grécia, Itália e até mesmo a Espanha, sucumbem diante das ondas gigantes das preocupações. Parece que o Euro não foi um remédio tão salutar para esta parte do mundo.

A  bem da verdade, em qualquer parte do mundo, quem tem dinheiro, especialmente o dólar, está sempre bem. Lembro que visitei vários países comunistas, especialmente na fase dura do comunismo, e a moeda americana sempre me deixava isento de qualquer aborrecimento, e sempre tinha o conforto à minha disposição.

LEMBRO muito bem da Hungria, na sua velha capital Budapeste, onde o regime político era duro de doer, a ponto de notar que qualquer lugar que caminhava, sempre observava discretamente que era seguido por duas ou três pessoas, naquela oportunidade você deixava 20 ou 30 dólares com um motorista de táxi, e ele faltava apenas te carregar no colo e quem sabe até mesmo beijá-lo, tamanha era a sua alegria.

NAQUELES anos, um húngaro somente poderia pensar em escapar do duro regime comunista, e quem sabe fugir para outros cantos da Europa, com dólares no bolso e nunca escapar com a moeda húngara, que não era aceita em nenhum lugar fora da Hungria.

DIANTE desta circunstância, o cidadão húngaro fazia até o impossível para arrancar a moeda dólar do turista, para buscar com sua família outra alternativa. O mesmo comprovei em Havana na Ilha de Cuba. Há anos que lá estive, e o processo de conseguir dólares era o mesmo da Hungria.

OS grandes hotéis eram cercados por todo tipo de gente, tentando buscar sempre a moeda norte americana. Lembro que fui servido na ocasião por um taxista cubano, por sinal muito culto, formado em economia e cujo carro pertencia ao governo cubano, aliás como tudo...

INSISTI para que mostrasse sua casa e família nos arredores de Havana e ele acabou cedendo e quando cheguei a sua casa, não acreditei no que vi: uma geladeira (bem velha) tinha alguns ovos e algumas latas de leite e nada mais. Quando indaguei o por quê, ele disse que o governo estabelecia cotas com vales assinados por autoridade comunistas e parava por ai. Não havia outra alternativa.

DISSE que pagaria sua corrida com moeda dólar, ele falou que não aceitaria,  teria que cambiar com a moeda cubana e em seguida pagá-lo, pois seu medo era tanto, que se fosse pilhado seria sumariamente demitido do serviço, e a partir dali só Deus saberia seu destino.

AINDA bem que o muro de Berlim foi derrubado, com ele boa parte do regime totalitário também ruiu. As mudanças estão acontecendo nos quatro cantos do mundo, mais recentemente observamos as mudanças radicais no mundo árabe e no mundo islâmico. Só de lembrar as duas semanas que passei em Riad, na Arábia Saudita, tenho vontade de vomitar, diante das discrepâncias observadas. Enfim...

TAMBÉM não quero afirmar que o capitalismo, seja a grande panacéia para o nosso mundo e para nossos filhos. Não é a utopia e nem o padrão de justiça social. Ou você luta e trabalha pra valer, ou certamente terá dificuldades em quitar seus compromissos e melhorar a vida de sua família.

O mundo está tão tumultuado, cujas razões estão diante de nossos próprios olhos quando debruçamos em frente do nosso televisor, que confesso: necessitamos cada vez mais usar o bom senso e principalmente nos aproximarmos de Deus, pois todos nós estamos nos distanciando muito Dele e isso não é bom. Essa é minha opinião, de brasileiro e cristão.

AMANHÃ estarei na cidade de Juazeiro do Norte, a segunda cidade do estado do Ceará, a terra do Padre Cícero, com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, transmitindo o jogo valendo pelo Campeonato Brasileiro Série B: ICASA x GRÊMIO BARUERI, a partir das 15h30, ao lado de Adriano Zini e Cesar Roberto. Estaremos com exclusividade mandando aquele som com a marca Furacão. Até lá nos 1330 KHZ.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

NO último final de semana, passei em Salvador e Feira de Santana na Bahia. Na terça-feira, trabalhei pela Rádio Terra AM 1330 KHz e Equipe Furacão, na transmissão do jogo pelo Campeonato Brasileiro Série B, Vitória x Barueri, onde o placar sorriu para o Barueri por 2 x 1.

ENTRETANTO, fui dois dias antes à Bahia, onde pretendia visitar meu velho e querido amigo de sete Copas do Mundo, na cidade de Feira de Santana. Dilson Barbosa é daqueles patrimônios vivos de Feira, há mais de 35 anos comanda o programa de rádio de maior audiência de toda região.

SUA emissora, a Rádio Sociedade de Feira de Santana, existe há mais de 70 anos e sua grande marca está na ousadia de transmitir grandes eventos como Copas do Mundo. Desde o ano de 1986, nós da Equipe Furacão fazemos parceria, assim a nossa região oeste da Grande São Paulo, está muito ligada a Feira de Santana.

MAS, esta cidade baiana é uma grande força no Brasil. Fundada há 138 anos, dista 107 quilômetros da capital Salvador através da BR-324. É a segunda cidade mais populosa e maior do interior nordestino em população e a maior de toda região nordeste do Brasil, que não é capital de Estado.

SUA população atualmente ultrapassa 600 mil habitantes, na área da comunicação conta com várias emissoras de TV, 7 emissoras de rádio FM e 4 AM, sendo a maior de todas, a Rádio Sociedade de Feira de Santana. No esporte tem 3 clubes de futebol profissional, inclusive, o atual Campeão Baiano de Futebol, o Bahia de Feira.

NA última segunda-feira, estava participando do programa de rádio “BOM DIA FEIRA”, com o comando de meu amigo Dilson Barbosa, onde os ouvintes interagem pelo telefone. Num determinado momento, perguntaram sobre a minha região, especialmente na área da saúde (Feira de Santana tem muitas limitações nessa área, a exemplo de quase todo Brasil), como o município de Barueri administra esta importante área?

FIZ uma exposição sobre alguns tópicos de atendimento à população, especialmente no que diz respeito à área de fornecimento gratuito de remédios. Expliquei que basta o morador de Barueri apresentar uma conta, que comprove seu domicilio em Barueri, independentemente do remédio e de seu custo, que será atendido.

INCLUSIVE existe até um atendimento a domicílio realizado por motoboys, que circulam a cidade entregando medicamentos. Depois falei sobre o Hospital Municipal de Barueri, com quase 300 leitos e mais trinta leitos de UTI, onde este setor se compara a grandes hospitais de São Paulo.

QUANDO explicava a Dilson Barbosa todas estas excepcionais fases de atendimento da saúde de Barueri, comecei observar que os telefonemas dos ouvintes não paravam um segundo. Queriam mais detalhes, pois por lá todo este serviço ainda é muito precário.

DETALHEI com números sobre a mortalidade infantil em Barueri, cujos índices são os menores entre as dezesseis cidades da Região Metropolitana, com população acima de 200 mil habitantes, com um índice de 8 óbitos de menores de um ano, para cada mil nascidos vivos. (dados Seade 2010).

PERCEBI que o tema saúde, estava despertando enorme interesse da população de Feira de Santana, então resolvi ligar para o prefeito Rubens Furlan de Barueri, para que ao vivo ele pudesse falar com mais detalhes sobre o trabalho nesta importante área.

AINDA que naquele momento estivesse comandando uma reunião, aquiesceu ao convite e participou ao vivo por mais de meia hora, para uma grande rede de emissoras baianas, com o comando de Feira de Santana. Foi um sucesso absoluto, a ponto de uma ouvinte ligar e dizer que ela tem uma irmã que reside em Barueri, e que tudo que estava sendo dito era uma grande verdade.

OUTRO ouvinte ousou em ligar para pedir ao prefeito Furlan, que deixasse o comando de Barueri e viesse mostrar em Feira de Santana, todo aquele seu dinamismo e arrojo na área da saúde. Ao encerrar sua participação, fez um convite para que Dilson Barbosa trouxesse uma delegação de Feira de Santana, para ver de perto estas inovações. Foi muito legal toda esta participação na rádio do sertão baiano.

NESTE sábado a partir das 15h30, estarei com a Equipe Furacão de Esportes e Rádio Terra AM 1330 KHz, na transmissão pelo Campeonato Brasileiro Série B, direto da Arena Barueri, do jogo Grêmio Barueri x Duque de Caxias, com a narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti e comentários deste amigo. No plantão estará Cesar Roberto e equipe. Até lá...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

QUEM me conhece sabe que uma predileção que não abro mão é viajar. Faz parte da minha personalidade. É desta maneira que consigo aumentar meu cabedal de conhecimentos. Não importa muito para onde vou... Na verdade quero ir e conhecer gente, coisas e até mesmo algumas peculiaridades.

NESTA sexta-feira, estarei viajando com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, para a cidade de Arapiraca, onde iremos transmitir amanhã, a partir das 16 horas, o jogo entre ASA x Grêmio Barueri, valendo pelo Campeonato Série B. É bom dizer que não conheço esta cidade.

TRATA-SE da segunda maior cidade do Estado de Alagoas, cujo crescimento deu-se em função da plantação do fumo, aliás conhecida como sendo “A CAPITAL DO FUMO”. Entretanto, com as fortes campanhas contra o tabagismo e os malefícios que provoca, ocorreu uma enorme diminuição no consumo, daí a cidade ter freado o seu progresso.

TODAS as vezes que viajo para o norte do Brasil, recordo do meu velho amigo e ex-funcionário público da prefeitura de Osasco, Olímpio Guarany. Ele nasceu em meio a Amazônia, mais especificamente na cidade de Santarém, no Estado do Pará.

MUITO inteligente, fez Faculdade de Economia e veio para São Paulo concluir o Mestrado e Magistério e posteriormente, deu aulas em várias faculdades de São Paulo. Corria o ano de 1984, quando o então prefeito de Osasco, Prof. Humberto Parro o trouxe para ser Diretor da Secretaria da Fazenda.

SEMPRE comunicativo e desde muito jovem, já tivera várias experiências na rádio de Santarém, especialmente em Belém, onde sua família manteve a base familiar. Sua paixão era de ser narrador esportivo e quando chegou a Osasco, tomou conhecimento que por aqui havia uma Equipe Furacão, que mantinha uma boa escola no rádio esportivo.

OLÍMPIO foi a procura dos responsáveis, e na época eu o atendi. Disse que gostaria de ser narrador esportivo e explicou toda sua experiência, principalmente acumulada na Rádio Liberal de Belém. Percebi de início, que sua cultura estava acima da média e fiz uma tentativa em escalá-lo para uma transmissão.

A partir de então, durante anos fez parte de nossa equipe. A sua prova de fogo veio em 1986, quando realizamos a cobertura de nossa primeira transmissão da Copa do Mundo, direto do México. Ele viajou ao lado do outro narrador Tarciso Manso e foi um grande sucesso.

SUA dedicação era tanta, que em 1985 tivemos que realizar uma transmissão da Seleção Brasileira pelas eliminatórias diante do Paraguai, que ocorreu na cidade de Assunção, e alguns dias antes da viagem, ele caiu da sua moto e teve que receber mais de 30 pontos no antebraço.      

NÃO havia quem o demovesse de não viajar tantos quilômetros de carro, de Osasco até Assunção. Foi assim mesmo, e para transmitir tivemos que adaptar uma base de madeira para amparar o microfone. Tudo saiu bem na ocasião e ficou comprovada sua vocação impressionante para a comunicação.

COM a saída do Prof. Humberto Parro da prefeitura, Olímpio retornou para sua origem, a Amazônia, onde seu coração pulsa mais forte. Volta para Belém do Pará e continua sua carreira de Professor Universitário e narrador esportivo. Até que surge uma oportunidade para trabalhar na cidade de Macapá.

COMO sua capacidade de comunicador é por muito reconhecida, recebe um convite de políticos da capital do Amapá – cravada às margens do rio Amazonas – onde você somente alcança através de avião ou barco. Um dos mais inteligentes políticos brasileiros, José Sarney o contrata para comandar toda área de comunicação do Senador.

NÃO demora muito para o talento de Olímpio Guarany fluir naquelas terras carentes. Começa fazer um programa de auditório, cujo tempo reafirma o seu sucesso, a ponto de atualmente ter o programa de maior audiência da Amazônia, intitulado “OLÍMPIO GUARANY SHOW”, pela Band TV Macapá, canal 4. O seu sucesso pode ser medido pelo slogan dado pela população: “REPÓRTER DA AMAZÔNIA”.

NÃO faz muito tempo, fui transmitir um jogo do Grêmio Barueri em Belém do Pará, e convidei Olímpio Guarany para fazer a narração. Ele impôs uma condição: “...faço a narração e você passa dois dias comigo em Macapá...”. Tudo bem, tão logo terminamos a transmissão fomos de avião de Belém a Macapá, uns 25 minutos de voo.

EM Macapá pude constatar de perto seu sucesso. Por onde passávamos seu autógrafo era disputado pra valer. Fui conhecer sua ilha particular no rio Araguari, que se localiza a 160 quilômetros de Macapá, onde ocorre a famosa Pororoca, e confesso que fiquei encantado, pois até búfalos selvagens andam por lá. Portanto, este osasquense adotado, atualmente é o grande repórter da Amazônia. Parabéns Olímpio Guarany! O seu talento é a grande base de seu trabalho. Osasco e a nossa região, o aplaudem de pé...

AMANHÃ, como já mencionei, estarei em Arapiraca – Alagoas, a partir das 16h, na transmissão de ASA x Grêmio Barueri, pela Rádio Terra AM 1330 KHz, ao lado de Adriano Zini e Toni Marchetti. Até lá e um abraço...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

OUTRO dia um amigo que trabalha na área de segurança, veio falar comigo e com muito respeito e educação, comentou que o seu maior sonho é ser comentarista esportivo numa emissora de rádio. Disse até que na sua escola noturna os alunos estão realizando exercícios para se aprimorarem.

DISSE também entre outras coisas, que nutre por mim uma grande admiração como comentarista e que gostaria de fazer uma entrevista para levar na sua escola. Marcamos o dia e a hora, e lá fui para o questionamento de um sonho, a razão maior de uma vida.

DE posse de um gravador, a primeira pergunta do futuro comentarista, foi de querer saber se sempre tive o dom da oratória e de raciocínio rápido? Na verdade sempre fui falante, mas sempre separei a fala enfadonha e cansativa. Com o tempo tem de ir se lapidando, buscando uma forma de reduzir o que está falando, de ser mais prático, mais objetivo, e de criar figuras.

NUNCA esquecer que você está sendo ouvido por dois tipos de torcedores: o vencedor e o vencido, quem entende, quem não entende, tem que ser didático. É muito importante, que conheça a fundo o esporte sobre o qual está falando, senão perde a atenção do ouvinte. Tem de ir além do óbvio. Transmitir o que está acontecendo do lado tático, destacar o lado técnico de jogadores que não estão bem.

SUGERIR o que pode ser alterado, antecipando os desdobramentos: se o time fizer isso, vai ocorrer isso; se não fizer, vai ocorrer aquilo. Sempre ter um papel ao seu lado, isso é fundamental. O jogo de futebol, por exemplo, tem noventa minutos. Você precisa saber quais são as melhores jogadas e descrevê-las.

NÃO se pode estar só como observador. Você vai falar “o time X teve maior domínio de jogo, porque aos 4, aos 9, e aos 16 minutos teve oportunidade com a jogada tal. Agora, a equipe não a transformou em gol por ineficiência de finalização ou falta de sorte por alguns momentos, bateu na trave, que, ora, está lá pra isso, ou isso influenciou o árbitro, que não marcou o pênalti...

NA verdade você vai construindo uma radiografia, analisando e tomando a sua posição. O primeiro comentário, minutos antes da partida é o mais chato, porque você precisa conjecturar sobre o que pode acontecer no jogo, baseado em metonímias, daí vem aqueles chavões como “clássico é clássico” ou “você pode cair do cavalo”.

MEU interlocutor indagou, qual ou quais comentaristas me inspiraram. Sem dúvida foi Mário Morais, João Saldanha e na atual época Henrique Guilherme. No caso de narradores, Pedro Luis, Silva Netto e no momento Adriano Zini da Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz.

OUTRA pergunta diz respeito de qual é o segredo de fazer o comentário no tempo certo, sem esticar e informar bem. Tudo é uma questão de prática. Quando começo a falar aciono meu cronômetro e sei por antecipação qual é o meu real tempo e a partir daí usar resposta certa e sem alongar.

PERGUNTOU como são programadas as intervenções do comentarista, se são estipuladas ou a qualquer momento. No nosso caso, na Equipe Furacão, a regra é de participar a qualquer momento. É claro que no intervalo, tenho 10 minutos sem parar, onde posso coordenar todo meu raciocínio.

AO longo de quase 40 anos como comentarista esportivo, meu interlocutor quis saber, qual minha transmissão mais emocionante pelo rádio. Sem dúvida, as sete copas do mundo que trabalhei, marcaram muito pela emoção. Mas, a maior de todas ficou por conta de um jogo da Seleção Brasileira de Futebol, em um estádio de Israel, na Terra Santa.

APENAS seis emissoras de todo o Brasil, conseguiram viabilizar esta transmissão de um velho estádio de Tel-Aviv, e a Equipe Furacão foi uma delas. Depois do jogo, todos nós fomos agradecer a jornada em Belém, no local onde supostamente nasceu Jesus. Todos nós choramos de muita emoção. Devo esta visita ao rádio.

FINALMENTE devo dizer a este amigo que deseja ser comentarista esportivo e claro, a todos que tiverem esta vocação, que persigam pra valer o objetivo, não é fácil, o alcance sempre será obtido com dedicação e principalmente se o amigo sentir no seu interior a vocação, do resto, é um trabalho maravilhoso, onde dedico quase toda minha vida. Valeu... Faria tudo de novo!

FALANDO em rádio, hoje a noite a partir das 20h, estarei com a Equipe Furacão da Rádio Terra AM 1330 KHz, direto da Arena Barueri, na transmissão do jogo Barueri x Ponte Preta, com a narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti e comentários deste amigo. Até lá e um grande abraço...