quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

llESTAMOS a poucos dias do Natal e já percebemos que o agradável clima de festas paira no ar. Já se nota quase todos carregando pacotes de presentes. Ainda que quase todo brasileiro deixe esta obrigação para as últimas horas. O presente é uma tradição, mas o evento nascimento de Jesus, é que corre com maior intensidade em nossas veias.

llJÁ escrevi nesta mesma coluna, que em todas as minhas andanças pelo mundo, dois lugares certamente mexeram comigo, ambos levados pela emoção, e não nego que nestes lugares chorei um bocado de tempo, mas foi um choro “gostoso”, aquele que dá um nó na garganta...mais doce do que sorvete.

llO primeiro lugar chama-se Póvoa do Concelho, bem na parte norte de Portugal, uma pequena Aldeia nos arredores de Trancoso, uma cidade média de Portugal. Nesta cidade nasceu meu pai Manoel Julio Baltazar e de lá veio com sua mãe para o Brasil, com apenas 9 anos, no ano de 1915, sua parada definitiva na cidade de Tambaú próximo a Ribeirão Preto.
llSEMPRE ouvia de meu falecido pai as referências de sua aldeia. Há mais de 20 anos, aluguei um carro, com muitos mapas e fui desbravar a região norte de Portugal, cujo objetivo principal era de conhecer onde meu pai nasceu e quem sabe detectar algum parente com o meu sobrenome Baltazar.

llAO chegar nesta aldeia ao cair da tarde, por volta das 16 horas, perguntei a uma pessoa se por lá havia algum Baltazar. A resposta veio rápida e concisa “...bem ali naquela casa tem um Sr. Baltazar...”. Engoli a saliva como alguém que começa a ter uma forte e comedida emoção. Sem perder tempo fui bater palmas e alguém que parecia muito com meu pai atendeu.

llDEBAIXO das escadas de pedras, fui logo explicando que estava procurando pessoas com o sobrenome Baltazar, pois morava no Brasil e sabia que meu pai havia nascido naquela aldeia, como também viveu 9 anos lá, a resposta veio rápida e moldurada com forte sotaque.

ll“OLHA não sei não, mas logo ali mora minha mãe que está com 98 anos e quem sabe ela possa fornecer alguma informação”. Rapidamente fomos andando poucos metros e numa velha casa, bom na soleira, estava sentada uma velhinha com o tradicional lenço preto preso ao pescoço.

llO meu parceiro pediu a bênção à sua mãe e foi logo expondo que estava com uma pessoa do Brasil, cujo sobrenome era idêntico ao de ambos. Bem devagar, pois a senhora demonstrava dificuldades para ouvir, narrei quase tudo que sabia de meu pai e em seguida veio a grande pergunta: “... a senhora conheceu meu pai?...”.

llPELA primeira vez ela olhou para cima encarou seu olhar no meu e disse: “... claro que conheci, seu pai era meu sobrinho e nasceu naquela casa de pedra...”. Portanto aquela pessoa que estava me acompanhando era primo-irmão de meu pai, e estava explicada a semelhança de ambos.

llQUANDO adentrei naquela velha casa e mostraram o quarto onde meu pai nasceu, claro foi naquele lugar que teve início a minha existência, não aguentei e chorei copiosamente. Até mesmo as pessoas que estavam ao meu lado, entenderam o quanto valia aquele instante para mim. Tirei fotos do local, e atualmente tenho um quadro a óleo do local, perpetuando o momento do reencontro com as raízes de meu grande ídolo.

llO segundo lugar no mundo que sacudiu a minha cabeça, foi há 15 anos, quando a Equipe Furacão de Esportes, em parceria com emissoras da Bahia, transmitiu a primeira partida amistosa entre a Seleção Brasileira de Futebol x Israel, uma espécie de aventura “política”.

llEM Israel tivemos terríveis dificuldades, para viabilizar a transmissão por rádio deste jogo histórico. Imagine que o Estádio local sequer tinha cabines para rádio e TV. Trabalhamos na pista de atletismo e nossa transmissão foi um sucesso.

llNO dia seguinte logo cedo, alugamos uma Van e fomos todos até Belém, visitar e agradecer pelo trabalho, no exato local onde supostamente nasceu Jesus, numa gruta. Entramos numa longa fila e fui o primeiro dos brasileiros a adentrar. Ali está a manjedoura e embaixo uma grande estrela de platina, simbolizando o local do nascimento.

llALI começou a faltar o ar. Fiquei com a voz embargada, e na saída da gruta havia uma placa escrita em vários idiomas, que dizia entre outras coisas: “SE VOCÊ NÃO ACREDITAVA NELE, A PARTIR DE AGORA MAIS DO QUE NUNCA ELE ESTÁ AO SEU LADO, É UMA DÁDIVA VIR A ESTE LOCAL”.

llCONFESSO que chorei por mais de 10 minutos, nunca chorei tanto na vida...Ele havia me transportado para aquele local...senti minha alma leve e parecia que estava sendo levado por nuvens...jamais vou esquecer de Belém, e claro, de Póvoa do Concelho, em Portugal. FELIZ NATAL A TODOS!!!

llAGRADECIMENTO: quero deixar público o meu agradecimento ao Prefeito Rubens Furlan de Barueri, por ter convidado este amigo para ocupar a Secretaria de Comunicação de Barueri. Não somente trata-se de um honroso cargo, como espero corresponder à expectativa do meu amigo Rubens Furlan.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

DE quando em quando começo a pensar na imprensa da nossa região, especialmente das suas incríveis dificuldades em informar, e claro manter a sua custosa sobrevivência. Sei e sinto na própria pele estas dificuldades, quando temos que fazer frente aos custos cada vez maiores de poder informar.

NA última sexta-feira, conversei longamente com o prefeito Rubens Furlan da cidade de Barueri, principalmente sobre o momento em que a nossa imprensa regional se encontra. Furlan reconhece o destemor e a bravura desta laboriosa classe em manter-se altiva e por que não, em “pé”, diante das dificuldades.

TENHO observado em cada cidade que visito em todo o Brasil, a posição da imprensa regional. A cidade de Feira de Santana com 500 mil habitantes, sendo a segunda cidade em população da Bahia, tem 4 jornais diários, dois canais de TV, 4 emissoras de rádio FM e 4 emissoras de rádio AM. É bom acentuar que os jornais diários são todos coloridos, por lá o governo Estadual e Federal, participam ativamente.

APENAS como comparação a cidade de Osasco tem um jornal pentasemanário, 5 jornais semanais, alguns “meia-boca” que são editados conforme as circunstâncias, 1 rádio AM fincada em Osasco, mais 2 com papel passado de Osasco, mas instaladas fora, pois caso contrário estariam sucumbidas diante do “apetite” comercial dos anunciantes.

ATÉ mesmo uma TV existe. Dizem até que tem uma boa programação, mas tecnicamente para poder sintonizá-la é um bicho de sete cabeças. Estou há anos na imprensa regional, creio até que tenho a coluna mais antiga do jornalismo que está completando 34 anos sem interrupção. Mas por que todos os profissionais vivem este estado de coisas?

ALIÁS não é de hoje que isto ocorre. Lembro bem de muitos “cardeais”, que já nos deixaram e que na marra conseguiram deixar suas idéias fincadas na história do jornalismo regional. Por exemplo, Heitor Sinegaglia, um talento ímpar, versátil e eclético, jamais conseguiu apoio ou amparo para suas edições memoráveis.

TAXINHA produziu uma coluna que saía “faísca” chamada “EM OFF”, que marcou época e que “derrubava” políticos menos avisados. Carlos Alberto de Araújo Faria, um baluarte, plantou o jornal “A RUA”, um dos mais antigos da região, atualmente escorado bravamente pela empresária Clara Rodrigues Faria.

OUTRO grande batalhador pelo jornalismo foi Messias Gonçalves da Silva, que fez de seu “O GRANDE OSASCO” um semanário de respeito e marcou presença ao longo de muitos anos. Tenho muito respeito pelos irmãos jornalistas Adamastor Inácio e Márcio Silvio, dois grandes talentos a quem Osasco muito deve, ambos estão na ativa.

OUTRO ilustre jornalista que deve estar lá no céu, com seu inseparável palitinho de fósforo na boca, o popular Zequinha (José Barros e Silva). Superinteligente e um grande observador. Suas reportagens e análises políticas eram respeitadas e admiradas. Seu grande laboratório de observação era as noites osasquenses, onde as informações políticas fluíam naturalmente, especialmente depois de 2 ou 3 doses de whisky...

NÃO posso esquecer-me, de outro grande batalhador e amigo Marco Infante, com seu estimado “PÁGINA ZERO”. Sua coluna “Acontecendo” é sinônimo de fonte de notícias políticas prestes a acontecer. Sempre coadjuvado pelo experiente Daniel Soares. Outro grande jornalista, Hugo Alberto Cuellar Urizar, que sem dúvida tem o maior acervo fotográfico e de imagens da nossa região. É um boliviano com alma e sangue brasileiro.

ESTES e mais alguns que peço desculpas por omitir seus nomes, fazem e continuam fazendo um jornalismo respaldado por raízes da nossa gente e da nossa região, e repito na maioria das vezes sem o devido respaldo financeiro, tão importante para fazer frente a seus custos.

llO grande empresariado, salvo raras exceções, viram as costas para estes baluartes da comunicação, que necessitam de recursos para continuarem descrevendo a história cotidiana de nossa região, sempre rica de fatos a serem noticiados. Portanto aos amigos jornalistas que se foram e aos que Graças a Deus, estão com saúde perpetuando o sacerdócio de suas profissões, o meu abraço na pessoa do Diretor do “CORREIO PAULISTA”, Wanderley Berrocozo.

PARECE mesmo que quando das festividades do 50º Aniversário de Osasco, vários desportistas e celebridades estarão sendo homenageados, provavelmente nas calçadas do museu de Osasco. Alguns nomes como Jair da Costa, Miguel de Oliveira e Jamil Bechara, já estão na lista. Boa iniciativa para preservar a memória de pessoas que enalteceram a cidade de Osasco, especialmente no esporte.

NESTE domingo, estarei no Rio de Janeiro, a partir das 16h30, com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, transmitindo o jogo entre Vasco x Flamengo, que tem ligação com o resultado de Corinthians x Palmeiras. A narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti, plantão César Roberto e equipe e,  comentários deste amigo.