JÁ viajei algumas vezes para o Japão, China e Coréia do Sul. Confesso que não é nada fácil encarar além de 25/30 horas de voo e mais outras tantas dentro dos aeroportos. Quando se chega ao destino, está tudo fora de esquadro...
NESTES países o fuso horário é de 12 horas, ou seja, quando você pensa que está na hora de dormir, é o contrário, já é hora de acordar. A moeda é outra, a alimentação nem se fala. O metabolismo fica literalmente alterado. O idioma então é o maior problema de todos. Enfim, não tem solução, tem que encarar mesmo!
NESTAS longas distâncias, o seu organismo assimila o fuso horário em média uma hora por dia, assim quando está quase tudo adaptado, já é hora de voltar, somente que neste caso a situação é pior ainda, pois há repique de horas, o sono não abandona nunca.
HÁ também as características de cada lugar. Na Coréia do Sul ao longo da Copa do Mundo de 2002 lá permaneci por mais de dois meses. Ufa! Que sufoco! Especialmente no que diz respeito a alimentação. Jamais em tempo algum, comi tanto frango em minha vida.
ATÉ mesmo uma viagem de São Paulo até Lisboa em Portugal de avião, que dura em média 10 horas, é muito cansativa. Apesar de ter todo o conforto num moderno jato, como computador e filmes, as horas demoram demais para passar. Com tudo isso, você chega ao destino mais quebrado do que um copo em cacos.
ESTOU abordando estes aspectos, porque fiquei surpreso com um livro que acabei de ler, intitulado “1808”. Trata-se de uma obra espetacular, escrita pelo jornalista Laurentino Gomes. Com este livro ele ganhou o “Jabuti”, considerado o mais tradicional prêmio de literatura do Brasil.
A propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é a de resgatar e contar de forma acessível, a história da corte portuguesa no Brasil, e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos.
D. JOÃO VI foi o único soberano europeu a colocar os pés em terras americanas em mais de quatro séculos, e foi quem transformou uma colônia, em um país independente. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo.
GUERRAS napoleônicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e sua instalação no Brasil, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro. Mas, todo o detalhamento desta apressada fuga da família real para o Brasil, não pretendo entrar no seu âmago, mas contar apenas detalhes da impressionante viagem de 57 DIAS DE NAVIOS LEVADOS APENAS PELO VENTO.
DEPOIS de tomar conhecimento das condições de viagem deste pessoal, confesso que nunca mais vou reclamar de viajar 30 horas, para ir ao oriente. É bom que se diga que a família real, não teve tempo nem de fazer as malas, pois as tropas de Napoleão já estavam às portas de Lisboa.
ENTÃO foi o tal de pegar ou largar. Estava encurralado entre duas maiores potências econômicas e militares da época: França de Napoleão e Inglaterra, ou cedia às pressões de Napoleão, e a segunda oferta dos aliados ingleses e embarcar para o Brasil, levando junto a família real, a maior parte da nobreza, seus tesouros e todo o aparato do Estado. Ele optou pela fuga, e mais um grande capítulo da história seria escrito.
NO dia da partida: 29 de novembro de 1807. Havia lama por todo o lado do porto do Rio Tejo: a rainha, seus príncipes, princesas e toda nobreza abandonavam o país para ir viver do outro lado do mundo. Às 7 horas a nau PRÍNCIPE REAL inflou as velas e começou a deslizar em direção ao Atlântico.
LEVAVA a bordo o príncipe regente D. João, sua mãe, a rainha louca D. Maria I e os dois herdeiros do trono: D. Pedro e D. Miguel. O restante da família estava em outros três navios. Mais quatro dezenas de barcos seguiam atrás da esquadra real. Entre 10.000 e 15.000 pessoas acompanharam o príncipe regente na viagem ao Brasil, amparados pela marinha britânica.
TINHA de tudo nesta viagem: médicos, bispos, padres, damas de companhia, camareiros, pajens, cozinheiros e cavalariços. Na ausência de energia elétrica a alimentação era basicamente bacalhau e ervilha. Também biscoitos, azeite, repolho azedo e carne salgada. No calor sufocante, ratos e baratas faziam a festa.
AS mulheres tiveram que raspar seus cabelos, pois todas estavam infectadas por milhares de piolhos. A água apodrecia logo, contaminada por bactérias e fungos. Outras ameaças eram a diarréia e o tifo, causados pela falta de higiene. A nau PRÍNCIPE REAL tinha 67 metros de comprimento por 16,4m de largura, a maioria dormia no relento e os banheiros...deixa pra lá...
PORTANTO meu amigo, este tipo de viagem ocorreu há 203 anos, não é nenhuma eternidade. A família real ficou no Rio de Janeiro 13 anos e muita coisa melhorou, até mesmo os nossos transportes, portanto, quando tiver que viajar para Portugal em apenas 10 horas de jato, irei sem reclamar e vou até sorrindo...
AMANHÃ a partir das 15h, estarei com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Terra AM 1330 KHz, transmitindo o jogo pela Série A3, Barueri X Paulínia, direto da Arena Barueri ,com Adriano Zini e Toni Marchetti. Até lá...

