sexta-feira, 19 de agosto de 2011


EM julho de 1990, portanto há pouco mais de 21 anos, estava cobrindo a minha segunda Copa do Mundo direto da Itália. O meu amigo e repórter Toni Marchetti estava baseado em Asti, uma pequena cidade vinícola, onde a Seleção Brasileira de Futebol estava sendo preparada.

ENQUANTO Marchetti cobria o dia a dia da nossa seleção, a minha base de trabalho era em Roma, numa pequena localidade chamada Grutta Roxa, onde todos os jornalistas do mundo tinham o seu QG. Era chamado de Centro de Imprensa da Copa. Por ali o tempo demorava a passar.

QUANDO aconteciam os jogos do Brasil, especialmente na cidade de Torino, a nossa equipe se deslocava de avião para esta cidade, e depois retornava à base. À medida que os jogos aconteciam e com equipes eliminadas, as nossas atividades eram reduzidas.

PRATICAMENTE passei dois meses na cidade de Roma, com meus amigos de Salvador e Feira de Santana, da Bahia. Nas horas vagas visitava tudo que tinha direito. As grandes atrações, como Coliseu e Vaticano, já conhecia como a palma de minha mão.

NUM determinado dia, encontrei por acaso no saguão do hotel onde estava hospedado, um padre brasileiro, que morava em Roma há bastante tempo. Conversa vai rolando e indaguei se havia algum lugar importante por ali que poderia visitar, pois estava com bastante tempo ocioso, mas teria que ser algo diferente e inusitado.

O velho religioso coçou a testa e perguntou se eu conhecia as CATACUMBAS DE SÃO CALIXTO, nos arredores de Roma. Até aquele momento nunca havia ouvido falar de tal centro, cujas origens datam dos primeiros séculos depois de Cristo.

CONFESSO que fiquei curioso em conhecer tal lugar. Juntamente com dois amigos jornalistas, resolvemos visitar a atração. Obtivemos mais informações do lugar, distante aproximadamente trinta quilômetros do centro de Roma, numa estrada chamada Via Appia.  

COMECEI a ler sobre este assunto, que resumidamente denominava CATACUMBAS como locais que serviam de cemitérios subterrâneos aos primeiros seguidores do Cristianismo, para quem a fé se baseava na esperança da vida eterna após a morte, portanto conhecer um local destes é no mínimo inusitado.

AS CATACUMBAS DE SÃO CALIXTO têm mais de 20 mil pessoas enterradas. Ocupa cerca de 15 hectares e mais de 20 metros de profundidade. São mais de 20 quilômetros de corredores, que conduzem aos diversos túmulos, onde descansam corpos de pessoas que viveram na época de Jesus Cristo.

QUANDO nos aproximamos do local, o detalhe é que os autocarros não podem circular por causa do perigo de desmoronamento. Aparentemente parece um local descampado e desabitado. Este local era literalmente escondido das autoridades do Império Romano, apenas um pequeno e camuflado orifício servia de entrada para seu interior, que dava acesso a uma longa escada.

ALI através de uma pequena escada eram sepultados mártires que morriam dilacerados no “Colliseo Arena”. Terminado o martírio o povo retirava-se e ninguém mais se preocupava com ele. Ao anoitecer, católicos heróicos, escondidos, recolhiam os restos mortais para as catacumbas. Neste local estão dezenas de mártires, inclusive 16 pontífices.

LEMBRO bem das catacumbas de São Calixto (que inclusive foi Papa) e cede seu nome ao local, Santa Priscila e Santa Cecília, cuja cripta é uma das mais visitadas. Ela também é conhecida como a PATRONA DA MÚSICA e foi martirizada no século III.

OUTRO detalhe deste inusitado lugar, é que o turista não pode ingressar em seu interior sozinho, pois certamente ao longo de seus 20 quilômetros irá se perder e, naquela escuridão vai perder o rumo de “casa”. Há guias especiais que falam diversos idiomas e você entra em grupos de mais ou menos 15-20 pessoas.

NOS apertados corredores a temperatura é bastante baixa. No grupo as pessoas são interligadas por uma cordinha para não se perderem. O guia caminha na frente com um farolete super forte. Recordo que num determinado instante ficamos agoniados em sair, dado ao lugar ter pouca circulação de ar. Ufa!

OSSOS humanos é que não faltam. Todo o solo no interior é argiloso de cor preta e claro um cheiro nada agradável. Sem dúvida, este local é grande ponto de convergência da história, envolvendo o início do catolicismo diante do poderio quase implacável do Império Romano. Quando for a Roma, que tal ter este encontro com as CATACUMBAS DE SÃO CALIXTO?

O prefeito Rubens Furlan esteve esta semana em Brasília, com sua filha deputada Federal Bruna Furlan. Além de prestigiar sua filha, foi rever os velhos amigos de quando Furlan por lá esteve na qualidade de deputado Federal.

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