llESTAMOS a poucos dias do Natal e já percebemos que o agradável clima de festas paira no ar. Já se nota quase todos carregando pacotes de presentes. Ainda que quase todo brasileiro deixe esta obrigação para as últimas horas. O presente é uma tradição, mas o evento nascimento de Jesus, é que corre com maior intensidade em nossas veias.
llJÁ escrevi nesta mesma coluna, que em todas as minhas andanças pelo mundo, dois lugares certamente mexeram comigo, ambos levados pela emoção, e não nego que nestes lugares chorei um bocado de tempo, mas foi um choro “gostoso”, aquele que dá um nó na garganta...mais doce do que sorvete.
llO primeiro lugar chama-se Póvoa do Concelho, bem na parte norte de Portugal, uma pequena Aldeia nos arredores de Trancoso, uma cidade média de Portugal. Nesta cidade nasceu meu pai Manoel Julio Baltazar e de lá veio com sua mãe para o Brasil, com apenas 9 anos, no ano de 1915, sua parada definitiva na cidade de Tambaú próximo a Ribeirão Preto.
llSEMPRE ouvia de meu falecido pai as referências de sua aldeia. Há mais de 20 anos, aluguei um carro, com muitos mapas e fui desbravar a região norte de Portugal, cujo objetivo principal era de conhecer onde meu pai nasceu e quem sabe detectar algum parente com o meu sobrenome Baltazar.
llAO chegar nesta aldeia ao cair da tarde, por volta das 16 horas, perguntei a uma pessoa se por lá havia algum Baltazar. A resposta veio rápida e concisa “...bem ali naquela casa tem um Sr. Baltazar...”. Engoli a saliva como alguém que começa a ter uma forte e comedida emoção. Sem perder tempo fui bater palmas e alguém que parecia muito com meu pai atendeu.
llDEBAIXO das escadas de pedras, fui logo explicando que estava procurando pessoas com o sobrenome Baltazar, pois morava no Brasil e sabia que meu pai havia nascido naquela aldeia, como também viveu 9 anos lá, a resposta veio rápida e moldurada com forte sotaque.
ll“OLHA não sei não, mas logo ali mora minha mãe que está com 98 anos e quem sabe ela possa fornecer alguma informação”. Rapidamente fomos andando poucos metros e numa velha casa, bom na soleira, estava sentada uma velhinha com o tradicional lenço preto preso ao pescoço.
llO meu parceiro pediu a bênção à sua mãe e foi logo expondo que estava com uma pessoa do Brasil, cujo sobrenome era idêntico ao de ambos. Bem devagar, pois a senhora demonstrava dificuldades para ouvir, narrei quase tudo que sabia de meu pai e em seguida veio a grande pergunta: “... a senhora conheceu meu pai?...”.
llPELA primeira vez ela olhou para cima encarou seu olhar no meu e disse: “... claro que conheci, seu pai era meu sobrinho e nasceu naquela casa de pedra...”. Portanto aquela pessoa que estava me acompanhando era primo-irmão de meu pai, e estava explicada a semelhança de ambos.
llQUANDO adentrei naquela velha casa e mostraram o quarto onde meu pai nasceu, claro foi naquele lugar que teve início a minha existência, não aguentei e chorei copiosamente. Até mesmo as pessoas que estavam ao meu lado, entenderam o quanto valia aquele instante para mim. Tirei fotos do local, e atualmente tenho um quadro a óleo do local, perpetuando o momento do reencontro com as raízes de meu grande ídolo.
llO segundo lugar no mundo que sacudiu a minha cabeça, foi há 15 anos, quando a Equipe Furacão de Esportes, em parceria com emissoras da Bahia, transmitiu a primeira partida amistosa entre a Seleção Brasileira de Futebol x Israel, uma espécie de aventura “política”.
llEM Israel tivemos terríveis dificuldades, para viabilizar a transmissão por rádio deste jogo histórico. Imagine que o Estádio local sequer tinha cabines para rádio e TV. Trabalhamos na pista de atletismo e nossa transmissão foi um sucesso.
llNO dia seguinte logo cedo, alugamos uma Van e fomos todos até Belém, visitar e agradecer pelo trabalho, no exato local onde supostamente nasceu Jesus, numa gruta. Entramos numa longa fila e fui o primeiro dos brasileiros a adentrar. Ali está a manjedoura e embaixo uma grande estrela de platina, simbolizando o local do nascimento.
llALI começou a faltar o ar. Fiquei com a voz embargada, e na saída da gruta havia uma placa escrita em vários idiomas, que dizia entre outras coisas: “SE VOCÊ NÃO ACREDITAVA NELE, A PARTIR DE AGORA MAIS DO QUE NUNCA ELE ESTÁ AO SEU LADO, É UMA DÁDIVA VIR A ESTE LOCAL”.
llCONFESSO que chorei por mais de 10 minutos, nunca chorei tanto na vida...Ele havia me transportado para aquele local...senti minha alma leve e parecia que estava sendo levado por nuvens...jamais vou esquecer de Belém, e claro, de Póvoa do Concelho, em Portugal. FELIZ NATAL A TODOS!!!
llAGRADECIMENTO: quero deixar público o meu agradecimento ao Prefeito Rubens Furlan de Barueri, por ter convidado este amigo para ocupar a Secretaria de Comunicação de Barueri. Não somente trata-se de um honroso cargo, como espero corresponder à expectativa do meu amigo Rubens Furlan.
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