DURANTE esta semana o tema dominante junto à grande mídia foi o assassinato de Osama Bin Laden, o maior de todos os terroristas, pela Marinha dos Estados Unidos, numa pequena cidade de 100 mil habitantes do Paquistão, chamada de Abbottabad.
PARA quem conhece a alta tecnologia do exército norte americano, a prisão ou um sumário aniquilamento de Osama, seria apenas uma questão de tempo. Creio até que o período de 10 anos, desde o “abate” das torres gêmeas, em Nova York, até sua prisão e morte, foi um período longo demais.
AFINAL o que leva um ser humano a ter a vida de um terrorista? Filho de rico construtor da Arábia Saudita (com mais 54 irmãos por parte de pai), formado em engenharia, nascido em Riad há apenas 54 anos. O que teria levado a trilhar na prática de crimes hediondos, onde certamente na sua concepção, a vida humana não tem o menor valor, prevalecendo apenas a sua maluca ideologia.
ESTA ideologia que o levou a ser expulso da Arábia Saudita e ter se exilado no Sudão e depois no Afeganistão, onde lutou contra os soviéticos tendo o apoio dos americanos e em função disso nasceu seu ódio por este país, que além de ter sido a sua maior vítima, foi também nestes últimos dias o seu algoz.
AO longo de várias oportunidades tenho escrito nesta tribuna a minha experiência vivida ao longo de quinze dias, em que passei na Arábia Saudita, mais especificamente na sua capital Riad, mês de dezembro de 1997, quando lá estive com a Equipe Furacão de Esportes, cobrindo o “Torneio do Rei’, com a presença da Seleção Brasileira de Futebol, na época treinada pelo Zagalo.
TODA vez que penso no terrorista Osama Bin Laden, a minha memória volta à sua terra natal Riad, onde confesso ter visto as maiores dissonâncias no cotidiano, envolvendo os hábitos, usos e costumes de um povo. Foi ali que – sem entrar no mérito do certo ou errado -, observei enormes mudanças no campo social, em relação a nós brasileiros.
CERTAMENTE tudo está em função direta com a religião Islâmica predominante em toda Arábia Saudita. Esta religião muçulmana é substancialmente diferente de todas com as quais convivemos no Brasil, principalmente no que diz respeito ao seu aspecto de fanatismo. Orar cinco vezes ao dia e ter na mulher um objeto de subordinação, colocando-a apenas como reprodutora da espécie.
DE todos os lugares que estive neste mundo, devo confessar que a Arábia Saudita foi o país que me deixou mais intrigado com relação ao comportamento das pessoas, como por exemplo, ir à Praça das Execuções (um lugar feito exclusivo para penalizar e matar pessoas), onde criminosos tem suas cabeças decepadas e depois atiradas ao deserto, para a alegria das aves de rapina. Este ato não pretendo ver nunca mais... é por demais chocante!
IMAGINE que este país não está aberto para turistas. Para entrar somente com “visto” especial, mostrando o que vai fazer ou deixar de fazer. No meu caso em 1997, fui a Brasília várias vezes para viabilizar meus documentos, mostrando que iria transmitir via rádio, jogos da Seleção Brasileira de Futebol, para o Brasil.
HÁ dois poderes distintos na Arábia Saudita: o do Rei e sua numerosa família, e o dos poderosos religiosos do Islamismo. Até mesmo o policiamento na cidade é realizado por religiosos (andam em duplas com longas roupas de cor marrom e longas barbas). São temidos e altamente respeitados. Se encontrarem uma mulher com o rosto descoberto, as consequências são imprevisíveis.
POR lá há inúmeros problemas, mas o financeiro praticamente não existe. Um dos maiores produtores de petróleo do mundo e claro, em todo o seu território é encontrado ouro. Tudo está por baixo de areia do deserto. Dizem que quando você der uma enxadada naquela areia, ou sai petróleo ou encontra ouro, daí...
EM cada esquina existe um local de oração, cuja identificação é feita pela figura de uma meia-lua e de inúmeros alto-falantes. Na hora da oração (o horário é determinado pelo nascimento do sol), todos saem correndo para estes lugares, cuja demora é de aproximadamente 30 minutos.
EM Riad há dois grandes aeroportos: o maior é privativo e é usado apenas pelo Rei Saudita e sua família e outro ao lado que é usado pelos pobres mortais. É a maior frescura para entrar ou sair da Arábia Saudita. São superrigorosos. Comigo por exemplo, quando cheguei a Riad, paguei os meus pecados por mais de quatro horas, tudo por culpa de um salame.
QUANDO fiz escala em Roma com destino a Riad, pensando na fome que eventualmente poderia sentir, comprei um salame e coloquei na minha bolsa de ombro. Por coincidência viajou comigo no mesmo avião o Leonardo, na época jogador, agora é técnico da Inter de Milão. Ao chegarmos em Riad, ao lado de Leonardo minha saída foi facilitada, até o instante em que um barbudo pediu para ver minha bolsa.
PRONTO! A encrenca estava armada. Mostrava o salame para mim com uma puta cara de bravo, e queria saber se dentro do embutido tinha cocaína. Fiquei aguardando o exame químico qualitativo do salame, para detectar se havia ou não droga. Depois de todo este bafafá, liberaram este pobre jornalista para desbravar a cidade.
ESTE cenário que pintei rapidamente serviu de pano de fundo, para a formação do maior terrorista do mundo, que neste último dia 1º de maio, encontrou a morte e seu corpo foi jogado ao mar. Que sua vida sirva de exemplo, de como não se pode agir neste mundo, ainda que sua terra seja eminentemente muçulmana...e complicada!
NESTE domingo, a partir das 15h30 estarei com a Rádio Terra AM 1330 KHz e Equipe Furacão de Esportes, na transmissão direto do Pacaembu de Corinthians x Santos, valendo o título do Paulistão, com Adriano Zini, Toni Marchetti e César Roberto. Até lá a partir das 15h30.
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