O mundo está ficando cada vez mais globalizado. Vendemos e compramos mercadorias de todas as partes. A comunicação passa a ser um instrumento vigoroso e primoroso para nos entendermos. Na maioria das vezes o idioma inglês é o mais usado, entretanto, há casos em que a coisa fica muito complicada.
NO ano de 2002, fiquei quase dois meses com a Equipe Furacão de Esportes na Coréia do Sul, na cobertura da Seleção Brasileira de Futebol na Copa. O Brasil treinado pelo Luiz Felipe Scolari escolheu como sua sede, a pequena cidade de Ulsan, situada a mais de 600 quilômetros da capital Seul.
NESTA cidade ficamos quase um mês, lado a lado dos preparativos da nossa Seleção. Ulsan tem aproximadamente 1 milhão de habitantes e a maioria da sua gente, todos ou quase todos, trabalham nas empresas do grupo Hyundai, que inclusive bancou a construção do estádio, onde o Brasil estreou.
PELA sua posição geográfica e bem distante da capital, Ulsan mantém bastante as suas raízes e cultura milenar. Todos os dias há dois barcos grandes que fazem a travessia do mar do Japão, entre Ulsan na Coréia até Hiroshima no Japão, num tempo estimado de quase três horas.
CONFESSO que trago gratas lembranças desta cidade e de seu povo, bastante gentil e fidalgo. O grande problema em viver um bom período neste lugar, sem dúvida, foi comunicação. Eles só falam o coreano e nada mais, de nossa parte o português e arranhamos o inglês. Daí...não dá liga.
NA base da mímica resolvíamos boa parte de nossos problemas, mas quando chegava a hora de comer o “bicho pegava”. Tudo ou quase tudo que eles comem, nós não comemos por aqui e vice versa. A base da alimentação na Coréia é uma farinha de peixe, que serve como base para todos os pratos, na verdade são cumbucas de barro, cujo cheiro é de doer os miolos.
LEMBRO bem que numa noite, nós da Furacão e mais dois companheiros do rádio baiano, com uma fome de “leão”, resolvemos jantar num restaurante, até bastante luxuoso, bem no centro da cidade de Ulsan. Entramos e as garçonetes coreanas com trajes típicos e com largo sorriso, nos encaminharam para uma mesa bem de canto.
AQUI teve início a “encrenca” da comunicação. Pedir o que? Feito do que? Cada um de nós recebeu o menu todo escrito em coreano, na verdade é um bocado de risquinhos. Todos seriamente observavam o menu e alguém fazia a clássica pergunta: “... e aí o que vamos comer?” Certamente ninguém tinha a resposta...
O repórter da Equipe Furacão, Toni Marchetti, procurou usar a velha técnica de examinar o que as demais mesas tinham em matéria de comida e claro para quem sabe, depois de apreciar, chamar o garçom e pedir o mesmo, com um gesto de dedo, mas até mesmo o experiente Marchetti sucumbiu diante daqueles pratos exóticos.
CONCLUSÃO óbvia que todos chegamos, vamos ter que jogar no “bicho” e torcer para dar certo. Não deu outra, cada um colocava o dedo no cardápio e dizia ser aquele que gostaria de jantar. A rigor ninguém sabia nada, absolutamente nada, daquilo que havia pedido. Foi mesmo uma loteria. Era aguardar e torcer. O tempo passou...
LÁ pelas tantas, vem uma “equipe” de coreanos com os pratos por nós sorteados e um deles pegava uma cumbuca e dizia, imagino, que perguntava em coreano de quem era aquela escolha. Foi uma zona na mesa, ninguém queria aquela esquisita sopa cor de abóbora cheirando a peixe fisgado há algumas semanas.
NINGUÉM gostou de nada. O repórter da Equipe Furacão Abrahão Cesar colocou na cabeça que sua “sopa” tinha uns ossos, que na opinião dele era de uma cabeça de cachorro. Conclusão é que sequer tocou na dita cuja. Até hoje quando lembramos da sopa coreana, ele ameaça vomitar e fazer aquela cara de quem não comeu e não gostou.
PRA terminar bem a noite naquele memorável jantar, veio a conta super dolorosa, tentamos até contestar, mas como? Que tipo de comunicação usaríamos para reclamar do preço? Pagamos depois de meia hora de acertos e contas divididas, aquela velha história que todos conhecem ao fechar a conta num restaurante. Ah! Na saída serviram um cálice de uma bebida, cujo cheiro lembrava um cano de guarda chuva envelhecido...
PORTANTO meu amigo, que fique bem claro, que quando você não está na sua terra, procure se adaptar aos hábitos, usos e costumes de cada país. Na Coréia do Sul, aprendi que há um grande respeito pelo semelhante, mas na alimentação não adianta chorar: ou você come o que tem por lá ou morre de fome. Certamente a primeira hipótese é a que vale..., portanto a melhor prova é que estou escrevendo esta história para você.
NA volta do Grêmio Barueri para a sua base, muita gente participou do projeto. Mas, especialmente o Secretário de Esportes Carlos Zicardi e o empresário no ramo calçadista Domingos Britto, foram fundamentais. Assim a região Oeste, continua mantendo uma boa força no futebol profissional.
NESTA sexta-feira, a partir das 20h30 a Equipe Furacão da rádio Terra AM 1330 KHz, estará falando da cidade de Goiânia, na transmissão do jogo valendo pelo Campeonato Brasileiro da Série B, Goiás x Barueri. Adriano Zini comanda a Furacão. Boa sorte Grêmio Barueri na sua estreia no Brasileirão B.
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