OUTRO dia um velho amigo e assíduo leitor desta coluna, fez uma indagação sobre minhas andanças pelo mundo, no sentido de que já tenha enfrentado situações perigosas e de risco de morte, na verdade foram muitas e vou contar apenas algumas que certamente convivi com possibilidades bem trágicas.
CORRIA o ano de 1982, portanto há quase trinta anos, ocupava um cargo importante no governo do Estado de são Paulo. Era o coordenador de Turismo do Estado de São Paulo e fui participar em Manila, nas Filipinas do maior Congresso do Mundo, no campo do turismo. A delegação brasileira era composta de 25 pessoas de vários Estados.
AS duas maiores representações eram de São Paulo e da Bahia. Nesta época a Filipinas era governada pelo ditador Ferdinando Marcos e haviam movimentos políticos e de terroristas para tirá-lo do poder. Antes mesmo da nossa viagem, já existia uma preocupação por parte da nossa delegação, em relação a estes movimentos.
MAS assim mesmo, realizamos esta longa viagem, na qual fizemos duas paradas: uma nos Estados Unidos e outra no Japão. Chegamos dois dias antes da abertura do Congresso de Turismo (ASTA), e depois das medidas burocráticas de credenciamento, cumpríamos determinações do então presidente da Embratur, Miguel Colassuono, chefe da delegação.
NO dia da abertura a ser realizada num monumental salão no centro de Manila, nunca vimos tantos policiais e medidas de segurança, para proteger as autoridades do mundo todo, que ali estavam para discutirem medidas no campo do turismo. A nossa delegação foi dividida em duas partes: da Bahia mais no fundo e São Paulo e Rio de Janeiro mais à frente, no grande salão.
CERTAMENTE o que iria acontecer nos próximos minutos, ficaria marcado na minha mente para sempre. Enquanto um locutor dava orientações no palco, um estrondo monumental se fez ecoar nos fundos do amplo salão. Era uma gigantesca bomba colocada pelos terroristas para sacudir este grande congresso.
NAQUELE momento sem saber ao certo o que estava acontecendo, instalou-se um grande pânico, pessoas correndo buscando uma saída o mais rápido. Ao olhar para os fundos notei que a bomba houvera feito pela sua força, uma enorme clareira entre as poltronas. Várias e várias pessoas feridas e ensanguentadas gritavam por socorro.
ATÉ minha pasta de mão, que portava naquela oportunidade, acabei esquecendo e depois de alguns minutos, ficamos sabendo que parte da nossa delegação havia tido grandes problemas, a ponto de uma funcionária da Bahiatur de Salvador, infelizmente perder um braço naquela dramática explosão.
COM este incidente, o congresso foi cancelado e a minha preocupação era de sair o mais rápido possível daquele país. Lembro que fui até o aeroporto de Manila, e somente depois de uma semana poderia retornar ao Brasil, mas quase compro uma passagem para o Vietnã. Na verdade, queria ir para qualquer lugar, menos ficar próximo dos terroristas das Filipinas, estava muito assustado.
CURIOSAMENTE depois disso tudo, todos nós estrangeiros éramos monitorados por soldados do exército filipino. Recordo que para ir ao banheiro, era seguido por um policial armado com uma metralhadora. Foram alguns dias que passei nas Filipinas de grande tensão e de enorme ansiedade. Desta confusão jamais esquecerei, pois vi a morte bem de perto...
OUTRA grande mancada aconteceu na Coréia do Sul em 2002. Tão logo estava terminando a Copa do Mundo, tentei conhecer a fronteira mais protegida do mundo, entre as duas Coréias: do Sul e do Norte. Em Seul dois agentes disseram que por 300 dólares iriam mostrar esta fronteira, inclusive um túnel de quatro quilômetros.
NUM primeiro momento até aceitei fazer esta perigosa “visita”, já estava marcando a hora para irmos ao local. Acontece que no balcão do hotel puxaram um documento escrito em espanhol, que dizia que teria que usar colete à prova de bala e se caso acontecesse algo comigo, tudo seria de minha inteira responsabilidade, e que meu corpo seria encaminhado ao Consulado Brasileiro em Seul.
COMO se diz na gíria, acabei dando um verdadeiro “cavalo de pau” e recuei a todo vapor: afinal por que teria que correr todo este risco, se ao menos não tenho nenhum parente coreano? Agradeci e continuei com a minha curiosidade de conhecer o local, que até pombo correio é fuzilado pelos policiais da Coréia do Norte. Ufa, quem não quer confusão que fique em casa comendo arroz e feijão, longe de um prato de cachorro assado...
AMANHÃ estarei às 15 horas com a Equipe Furacão da Rádio Terra AM 1330 KHz na Arena Barueri, transmitindo: Grêmio Barueri x Portuguesa e terça-feira, 14, direto de Campinas às 18h30: Ponte Preta x Grêmio Barueri, pelo Campeonato Brasileiro Série B, com Adriano Zini, Toni Marchetti e César Roberto. Até lá...
Nenhum comentário:
Postar um comentário